Filosofando na Penumbra

A intenção desse Blog é servir como parteiro de idéias, um berçário cognitivo de conceitos e investigações das coisas que nos cercam. Na medida do possível, a partir da repercussão do que é dito, será a base de trabalhos mais profundos em nível acadêmico. Espero contar com a ajuda dos amigos no burilar desse vasto parto contínuo...

Para qualquer blogueiro ou alguém que se dedique a escrever, receber comentários e pareceres sobre seus escritos é de fundamental importânca. Isso nos ajuda muito a nos aperfeiçoarmos e sabermos o alcance daquilo que repercutimos. Por favor, comente, explonha sua opinião. Agradeço.


quinta-feira, 22 de novembro de 2007

A Arte Viva do Bonsai

Ao pensar em Bonsai logo vem a mente aquelas árvores em miniatura japonesas. Não está errado pensar assim, até porque o conhecemos pelos japoneses que migraram para o Brasil, abrilhantando nossa Terra com trabalho e uma tradição que enriqueceu muito nossa cultura. No entanto, o Bonsai é uma arte milenar chinesa e vem das palavras pun-sai. A exportação da técnica para o japão aconteceu há cerca de 500 anos.

Pun-Sai significa literalmente "Árvore no Vaso", no entanto não é qualquer árvore em vaso que pode ser chamada de Bonsai. É necessário alguns requisitos para ostentar esse status.

O primeiro requisito é a harmonia entre o recipiente e a planta. É essa harmonia que constitui o que o Bonsai é : uma réplica artística de uma árvore natural em miniatura. Podem ser trepadeiras, arbustos ou uma árvore mesmo e o recipiente pode ser um vaso (que deve ser escolhido cuidadosamente - dizem que a escolha do vaso adequado já se constitui uma arte em si) ou até mesmo uma rocha.

A Idade é Importante

Um Bonsai é igual um vinho (diga-se de passagem, igual a mim - risos): quanto mais velho melhor. No Japão, os melhores Bonsais têm centenas de anos e são obras vivas de pura arte, passados de geração em geração numa mesma família, ou dando continuidade em suas vidas em outras famílias diferentes, mas com o mesmo cuidado e dedicação.

No entanto, e aí reside a filosofia por traz de tudo isso: ser velho não indica necessariamente ser melhor, pois o que importa são as características da idade. Embora existam técnicas que forjem uma aparência envelhecida à planta, sua idade será acompanhada pela formação da casca e troncos; sólidos e robustos.

Fora ou Dentro de Casa ?

Embora existam plantas que se adaptem a ambientes internos, o ideal é conservar o Bonsai ao ar livre. Muita gente acha que são meras plantas ornamentais para se guardar na sala, por exemplo. No entanto elas devem ser tratadas como árvores e não como plantas ornamentais, inclusive no que tange a regamentos, adubação e etc.


Cada Bonsai é único. O importante é escolhê-lo de acordo com as características das quais o uso que você pretender se adeque. Ao longo do tempo, conforme eu for aprendendo, vou postanto mais dicas e considerações a respeito dessa arte.

Abaixo um vídeo com vários Bonsais e com uma música muito legal para vocês apreciarem.


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Iniciando o meu Bonsai

Bem, eu estou iniciando-me nessa arte milenar e gostaria de falar um pouco sobre ela. Aos poucos vou postando meus trabalhos aqui no Blog e procurarei incentivar os leitores a tentar. Ao meu ver, não há nada mais filosófico que a dedicação a uma vida e o contato com a natureza.

Eu mesmo resisti muito antes de decidir e precisei ver o quanto um stress pode ser prejudicial para que eu realmente decidisse começar. Alias essa é uma história interessante, que não sei se um dia contarei nesse BLOG, pois não é um espaço, à princípio, para meus assuntos pessoais, mas posso dizer que a possibilidade da morte nos faz pensar em novas formas de se viver a vida. E uma dessas formas, para mim, foi a descoberta do que o Bonsai e a jardinagem em geral, poderiam proporcionar a alguém ansioso, hiperativo e muito agitado com eu (risos)...

Uma das coisas que ficou claro em mim, depois do nascimento de meu filho, foi a necessidade de mudar meu estilo de vida, trabalhar menos, dedicar-me mais à família e tentar realizar meus sonhos, como forma de dar-lhe um exemplo vivo de como nunca é tarde para se aprender a viver. Eu quero muito conviver com ele, trocar, interagir. E isso não se faz com palavras, faz com exemplos, com atividades em conjunto. Valores e princípios passam-se com exemplos, já dizem os psicólogos. E lá fui eu juntar o útil ao agradável, procurar minha paz, um lado mais Zen, meu equilíbrio, gerenciar minha ansiedade, e por outro lado, uma integração salutar e gratificante com meu filho, o serzinho que revolucionou minha vida...

Fui no Empório Verde, conversei longamente com o Sérgio (o proprietário) e comprei uma muda com todos os apetrechos necessários para começar a cuidar de meu Bonsai. Veja que momento único, eu e o Netinho plantando a muda...

Ao longo do tempo eu vou postando aqui a evolução disso... Espero que consiga fazer dar certo... A idéia é plantar e cuidar dele na terra (esse é o quintal no funda da minha casa) e começar a fazer as primeiras podas, dando formas a ele (que já estará em minha cabeça). Depois transferí-lo para um vaso onde poderá ser cuidado por outras pessoas ou até ser dado de presente. Imagine que legal dar um presente para uma pessoa de algo que você fez, cuidou, transformou, dedicou tempo, carinho, atenção ? Você doa um pouco de você junto. Muito filosófico isso.

O fato é que esse momento será mágico para mim e para meu filho. Conversando sobre a vida, filosofando, ou mesmo compartilhando um silêncio cúmplice no "cuidar" de nossa plantinha, simbolizaremos nela muitas coisas, como amizade, respeito, amor, afeto, ligação. Assim espero.

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terça-feira, 20 de novembro de 2007

Projeto Glossário On Line

Estou divulgando aqui um novo projeto que penso será de grande ajuda para estudantes de ciências sociais e mesmo professores e profissionais da área. É um glossário on line de termos filosóficos, conceitos, biografias e etc. O sistema é em PHP e já está em testes em meu servidor e pelo que vi terá recursos muito bons, inclusive de diferenciar por tipo de área (por exemplo : filosofia, sociologia, psicologia e etc) e ainda cadastrar colaboradores.

Estou bolando os termos e traduzindo o sistema que é todo em inglês. Quem quiser ajudar me manda um recado. A idéia é que seja gratuito e livre e se por acaso houver custos adicionais, que seja financiado por patrocínios.

Por favor, mandem sugestões, idéias, participem, toda ajuda será bem vinda. O projeto parece ser grande e quem sabe não obtemos um patrocínio de alguma editora, livraria ou mesmo instituição educacional ?

A idéia é formar grupos de editores separados por áreas específicas que ficarão responsáveis pelo cadastramento dos verbetes, conceitos e biografias. Será uma forma de prover um ótimo material além de estudar e aprender mais, claro. Todo termo, verbete e informação deverá vir mencionado a fonte de origem, inclusive se for do próprio editor, o que não será proibido, claro.

O programa é tão legal que poderá ser criado uma espécie de revista eletrônica, um tipo de fanzine onde os editores poderão publicar artigos, ensaios e etc. Bem, aguardem novidades, parece que será bem legal.

Abraços a todos....

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domingo, 18 de novembro de 2007

Ética Filosófica

Um pequeno estudo sobre ética filosófica baseada numa frase de Hepburn para reflexão :

A prática filosófica faz exigência morais extenuantes: honestidade e equidade para com os oponentes na argumentação; uma capacidade para tolerar uma incerteza prolongada quanto a questões sérias; a força de caráter para mudar as nossas idéias quanto a crenças básicas, e para seguir a argumentação e não as nossas inclinações emocionais; independência mental em vez da disposição para seguir as modas filosóficas.

Nós que convivemos com pensamentos diferentes; no Orkut, na vida, na faculdade e no trabalho, seria de se esperar que ao nos expressarmos, ficasse claro nossas intenções, através de uma prática que denotasse uma preocupação ética no ato de filosofar. A ética filosófica está ligada à honestidade intelectual, honestidade para com seu interlocutor e honestidade para com o conhecimento. Essa é a moral da Filosofia. Vamos analisar as proposições de Hepburn :

1. Honestidade e equidade para com os oponentes na argumentação: é argumentar usando os princípios da lógica. Não cometer falácias, sofismas, paradoxos e disparates.

No link a seguir, um ótimo artigo falando sobre argumentação, de Carlos Ceia > argumentação.

Recomendo essa leitura...

Falácia : É um mau raciocínio, um raciocínio errado. Pode não ser intencional, mas ocorre na maioria dos argumentos que encontramos no Orkut. Uma falácia pode partir de premissas verdadeiras, porém sua conclusão é um erro. Um exemplo :

Premissa 1 : todos os leões rugem
Premissa 2 : todo leão é um animal
Conclusão : todos os animais rugem

Essa é uma falácia de generalização. Duas premissas verdadeiras cuja conclusão é um erro.

Uma falácia recorrente é a falácia ad hominem que é o ataque pessoal ao seu interlocutor ao invés de atacar o argumento. É uma falácia que visa fugir do assunto proposto e em geral é feita quando o falacioso percebe que seus argumentos foram refutados ou quando ele não tem argumentos para refutar os do seu interlocutor. É uma tentativa de desqualificar o interlocutor, desviando o argumento para o lado pessoal, citando exemplos da sua vida, ou coisas que fez ou escreveu fora do assunto em questão. Além disso é uma covardia e desqualifica o próprio atacante.

Nesses sites podemos estudar vários tipos de falácias afim de não cometê-las com propósitos éticos na filosofia :

Sociedade Terra Redonda - Falácias
Wikipédia - Falácias
Crítica na Rede - Falácias

Bom seria se todos pudessem ler e se atualizar sobre isso.

Sofisma : É um raciocínio capcioso, isto é, sua intenção é induzir ao erro deliberadamente. A intenção do sofisma é dissimular uma verdade, levar o interlocutor a um erro conclusivo e com isso adquirir uma vantagem de forma desonesta em um debate. Sofismas podem ser feito com a deturpação do que é dito, mudando o que o interlocutor quis dizer de forma desonesta para que a platéia fique do lado do sofismador. O sofismador ainda tem mania de cometer a falácia “ad hominem” acusando os outros de sofismadores sem contudo provar o que diz. Cuidado, fiquem atentos a esses elementos.

Sugestão de leitura :

Wikipedia - Sofisma
Wikitionary - Sofisma

2. Uma capacidade para tolerar uma incerteza prolongada quanto a questões sérias : É ético, filosoficamente, tolerar o máximo possível a incerteza. Fugir das verdades absolutas, incontestáveis e questionar tudo, ser cético por natureza. Não um cético que duvida por duvidar, mas um cético que duvida para investigar, aprender, saber, conhecer. Não pode precipitar-se, deixar-se vencer pelo cansaço. Há de se analisar vários ângulos e quantas variáveis forem necessárias. A incerteza ronda o filósofo a todo instante. Podemos pensar heterodoxamente ou ortodoxamente, mas o importante é cercar essas Doxas (opiniões) de argumentos sólidos, sedimentados e coerentes depois das duvidas e incertezas que cercaram a análise. E se não tiver, continue com a dúvida, é ético filosoficamente essa tolerância.

3. Força de caráter para mudar as nossas idéias quanto a crenças básicas, e para seguir a argumentação e não as nossas inclinações emocionais: Estar pronto para mudar. Aceitar o que é logicamente provável, mesmo que o item 2 lhe imponha um tempo maior para isso. Essa força de caráter é a humildade que eticamente faz parte da filosofia. É reciclar-se, é estar pronto a despir-se de crenças arraigadas em favor da razão, é deixar o subjetivo em seu lugar e se tornar objetivo, focado, concentrado e firme.

4. Independência mental em vez da disposição para seguir as modas filosóficas: complementa o item 3. Ao mesmo tempo que é ético filosoficamente, estar pronto para mudar e reformular suas convicções, é ético filosoficamente ter uma independência mental que o impeça de seguir modismos ideológicos. Ético é ter bom senso, portanto.

Reflitamos sobre isso. É importante que nos coloquemos sempre no lugar do outro ao conversarmos, discutimos ou ao entrarmos num debate. Que o debate seja de idéias, não sobre pessoas, e que o conhecimento e o esclarecimento sejam sempre a tônica deles.

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sexta-feira, 16 de novembro de 2007

Vida Feliz é Com Prazer - Epicuro

Uma vida feliz, doce e sempre digna de ser vivida é o desejo de todo ser humano razoavelmente são. Mas como conseguir tal vida se a todo instante somos acometidos por variados desejos nunca satisfeitos e aspirações frustradas pelas contingências ? Epicuro nos ensina como conseguir tal coisa...

Curiosamente, ao contrário do que muitos pensam, Epicuro não pregava o prazer pelo prazer, nem a satisfação de prazeres imediatos. Associam o Epicurismo ao Hedonismo de forma totalmente equivocada. Epicuro faz clara distinção entre prazeres inferiores e superiores, colocando-os como sensíveis e espirituais, respectivamente.

Infelizmente, como na maioria dos filósofos gregos (excetuando-se Platão e Aristóteles - convenientemente preservados pela Patrística e pela Escolástica), restaram-nos poucos escritos de Epicuro, onde temos :

> Sobre Física: Três Cartas, Quarenta Máximas, o Testamento e a Carta a Heródoto;
> Sobre os Fenômenos Celestes : Carta a Pitocles
> Sobre Ética : Carta a Meneceu.

Sua ética é poderosa e a Carta a Meneceu merece um destaque especial quando buscamos entender seus ensinamentos em relação à felicidade. Para Epicuro o prazer e a felicidade são os critérios condutores dos seres humanos e a problemática enfrentada em sua filosofia está em definir qual é o verdadeiro prazer e como maximizar o bem-estar pessoal.

Ele lembra que um prazer imediato e fortuito pode estar ligado muitas vezes a uma dor futura. Por isso ele submete à razão a busca pela felicidade. Para ele, somente entendendo suas necessidades reais, é que o homem poderá buscar racionalmente sua felicidade, vivendo no verdadeiro prazer que o conhecimento lhe confere.

Vejamos como ele entende as necessidades humanas, que para ele se dividem basicamente em 3 :

1. Necessidades Naturais e Essenciais : aqui nos remete à hierarquia das necessidades de Maslow. São nossas necessidades básicas, fisiológicas, biológicas e sociais. (fome, sono, sexo, segurança, amor, realização pessoal, estima, etc).


2. Necessidades Naturais e não Essenciais : essas precisam, segundo Epicuro, serem buscadas com moderação e está intimamente ligadas à motivação que as desenvolvem. Se formos moderados e racionais, saberemos por exemplo, que nossa necessidade natural e essencial de realização pessoal, não pode estar ligada a um desejo de poder pelo simples poder, levado à cabo por orgulhos, vaidades, luxúria e etc. Ele elenca aqui também os exageros em relação à gula, bebedeiras e etc. Essas necessidades seriam uma variação supérflua das anteriores.

3. Necessidades Não Naturais e Não Essenciais : essas, segundo Epicuro, nunca devem ser buscadas. Possuem natureza artificial e se constituem como uma espécie de subprotudo (que pode até ser aceitável) da busca da felicidade real, pela razão, a ser empreendida em nossa vida. Aqui encontram-se a glória, sucesso, riqueza, saúde e beleza, por exemplo. Esses prazeres se constituem uma consequência de uma vida regrada e não em necessidades reais que podem determinar sua felicidade enquanto ser humano.

Alguns sábios conselhos desse filósofo para viver feliz e com prazer :

1. Os deuses existem e não se ocupam com os homens;
2. A morte não deve ser motivo de temor. Quando ela está presente, nós não estamos; quando estamos presentes, ela não está;
3. O sábio, assim como não procura os alimentos mais abundantes e sim os melhores ao seu corpo, também do tempo aprecia não o mais longo, mas o mais doce;
4. Devemos nos lembrar, ainda, que o futuro não é nosso nem inteiramente não nosso: não devemos aguardá-lo como se seguramente devesse chegar, e não devemos nos desesperar como se seguramente não pudesse acontecer;
5. Consideramos um grande bem a independência diante dos desejos, não porque é necessário ter somente pouco, mas porque, se não temos muito, sabemos nos contentar com pouco; profundamente convencidos de que goza da abundância com maior doçura quem menos dela necessita, e de que tudo que a natureza requer é facilmente econtrável.

Epicuro, com esses dizeres, nos exorta a administrar nossas necessidades. A partir desse ponto, quanto menos necessitarmos de algo, maior o prazer em obtê-lo, pois não o procuramos, não o desejamos. Esse pensamento, de desapego ao que não é necessário, desapego a desejos, fazem ecos no Budismo.

Sempre precisamos nos perguntar : é preciso ? Se racionalmente, honestamente e sinceramente a resposta for "Não", teremos algo de que não dependa nossa felicidade, ou pelo menos não deveria depender. Parece simples não é ? Mas não é... Existem necessidades criadas em nós, pelo meio, pelo sistema, pela mídia, e pelos grupos em que participamos em nossa vida em sociedade. A contemporaneidade transformou a nossa vida numa corrida incessante para satisfação de necessidades que em muitas vezes não são nossas, legítimas.

É revisitando velhos sábios filósofos que podemos ver o quanto estamos na contra-mão do bom-senso, muitas vezes pautando nossas vidas em necessidades ultrapassadas, em convenções e modismos, e deixando nossa felicidade nas mãos dessas necessidades. Pensem.... será que é possível tomar nossa felicidade por nós mesmos e encontrarmos um jeito de sermos felizes ? Pergunte a Epicuro.

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Carlos e As Mulheres

Essa é uma história de desejos... Ou estória, como diria Guimarães Rosa. Desejos masculinos, bidimensionais, óbvios e prosaicos, como diriam as mulheres. Carlos era assim, como todos nós homens; óbvio e prosaico, bidimensional e masculino. Quando conhecia mulher logo a imaginava nua, reluzindo corpo numa penumbra de alcova qualquer, mostrando e escondendo desejos, deixando-o que adivinhasse o que queria, seus baratos e afins, o que a fazia sentir-se mulher. Para ele, talvez nem importasse o quanto fosse bonita ou feia, gorda, magra, dentuça ou sorriso de sol poente... Para Carlos, o importante era a "mulher" na concepção mais pura da palavra, com seus jogos, esgueirando-se em felinos olhares de musa...

Mas não pensem que Carlos era um pervertido, devasso, promíscuo ou coisa que o valha. Simplesmente nele, clamava o desejo de forma sobre-humana, ou infra-humana (?), pulsando em cada poro a possibilidade de poder deliciar-se com a natureza feminina, qual Édipo, druida da Lua, Deusa-Mãe dos oprimidos...

Seu prazer passava à largo do próprio orgasmo; sua sina, qual Arjuna em Kuruksetra, resumia-se na satisfação plena das mulheres, como dever inerente à perfeição. E não havia vaidade própria dos "Dom Juans", que viam no prazer feminino a confirmação de pretensiosa arrogância, convencidos de que fossem ótimos, perfeitos. Carlos não, simplesmente seu prazer estava no espetáculo de poder presenciar uma mulher feliz, satisfeita, plena, além de orgasmos, para ver-se como verdadeira mulher, ápice da evolução... Qualquer que fosse a mulher, quando sentia-se assim; plena, mulher, seria capaz de tudo, o mundo prostrar-se-ia aos seus pés femininos, últimos como espécie a pisar na face da Mãe-Terra, reduto de tentativas e erros da vida maior, geodésicos no caminho mais curto a qualquer ponto imaginável. No fundo, e analisando Carlos e sua vida sem preconceitos, talvez ele fosse um grande feminista, isso sim...

Seu prazer no prazer feminino, talvez delineou-se ainda em tenra idade, forjado na convivência entre tias, primas, irmãs e mãe. Sua mãe, costureira nos tempos de vacas magras, pai sumido, recheava a casa de retalhos, moldes, tecidos e mulheres; ávidas emergentes que a todo instante careciam de indumentária extra para suas festas de sociedade. Carlos cresceu em meio a provas de vestidos, corpetes, calcinhas e seios apontando para ele, fazendo biquinho, pedindo beijos... As mulheres não se incomodavam com ele, no máximo apertavam-lhe as bochechas rosadas ao chegarem e logo engalfinhavam-se entre revistas e tecidos, na paciência tibetana de sua mãe. Frente aos pedidos maternos de brincar lá fora, insistiam todas que não havia problema algum, que era pequeno, que o deixasse ficar... Ele, sabedor da pouca importância de sua presença em meio às necessárias tarefas de sua mãe, apressava-se a mexer nos caminhõezinhos e bonecos de sua caixa de brinquedo, povoando seu imaginário de curvas, seios e ancas, celulites, estrias e carnes expostas, retalhos e desejos...

Percebia ali, o quão importante era a mulher sentir-se bela, capaz de despertar a atenção dos homens e de outras mulheres até, e do prazer que detinham quando convencidas disso. Mais tarde, passado anos, chegou a compreender a inerência da vaidade na natureza feminina, porém deu-se conta do mero pretexto que isso representava, que mulher, para ser mulher mesmo, precisava estar imantada, atrair, sentir-se atraente ! E era isso que procurava nas mulheres, aquele "quê" de ímã todo próprio e só dela, que cada mulher tinha, não importasse qual; força magnética que muitas nem sabiam possuir, mas a qual Carlos conseguia delinear e perceber com precisão inigualável. Estes anos de observação passiva e contemplativa, forjara em Carlos, na força do martelo de Mercúrio, uma profunda emoção pelas mulheres. Sabia-se, como homem, mero complemento da grandiosidade feminina, em meio a mitos, tabus e fantasias, mentiras e meias verdades, que Carlos desfarelava a cada toque, olhar ou palavras dirigidas a elas.

Nós, ali do bairro, ficávamos horas ouvindo Carlos divagar sobre a natureza feminina, não como quem pretendesse saber tudo, mas como um humilde observador dos mistérios insondáveis do ser mulher. Ouvíamos atentos. Quem saberia se um dia poderíamos utilizar algo do que nos contava ? Mas como ele mesmo dizia; - "Sem compartilhar com as mulheres esse mistério, sem amá-las incondicionalmente, sem viver a fundo a satisfação e beleza do desejo de ver uma mulher, plena, mulher mesmo, toda assentada nela própria, mesmo que não se entenda, mas que viva, jamais conseguiremos tal êxtase".

E com isso acompanhávamos Carlos, repleto de mulheres em sua volta, requisitando-o em casa, aprendendo com ele e ensinando-o, sentindo e vivendo, transformando-se em mulheres mesmo, ou pelo menos lembrando e pulsando em si o que a Natureza, Deus, evolução, já as tivesse dotado desde tempos imemoriais. E assim ia Carlos, masculino, prosaico e bidimensional como todos nós homens, porém apreciador, ou antes disso, desejoso dentro de si, intermitentemente, de proporcionar um dos maiores espetáculos do mundo: a felicidade da mulher, satisfação feminina.

Essa é uma história/estória sobre desejos... Desejos que todos nós homens, a exemplo de Carlos, ou a despeito dele (especial que é), devemos cultivar lá dentro, naquele cantinho escondido além da bidimensionalidade, do prosaísmo masculino. É isso.



Gilberto Miranda Júnior
17-20/02/1999.

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quarta-feira, 14 de novembro de 2007

Reflexões I - Entre a Naturalidade e o Meio

O homem só conseguiu até hoje perpetuar-se na face da terra por ser um ser social e cooperativo. Jamais o homem encarou sozinho, individualmente, o problema de sua sobrevivência. Desde as primordiais coletas de frutos, de forma nômade, nas estepes e savanas africanas, o homem ao se ver como é, formou grupos para facilitar seu trabalho. Sua existência até nossos dias prova que, de alguma forma, o homem conseguiu resolver esse problema. Pelo menos parcialmente, já que ainda existem miséria, fome e carências das mais diversas espalhados pelo planeta.

Aí o homem se ve aqui, olha em volta e se pergunta: essa miséria, carência e fome deve ser encarada como um braço natural do processo de devir do mundo, ou nós, enquanto seres sociais, devemos nos preocupar com ele ?

Bifurca-se então a ação do homem....

Aqueles que acham que tudo isso faz parte do devir (estando ele abastado ou carente) terá como dado os fatos, e nada fará para modificá-los. Esse homem se insere num sistema cujas características primordias estão calcadas no Laissez-Fair, isto é, deixe estar, as coisas são assim porque são... Com isso torna-se joguete das circunstâncias, criam-se necesssidades nele, moldam-no para que o sistema sobreviva às suas custas e ele cumpre esse papel eficientemente. Por ser um homem, e ter o intelecto ao seu favor, faz digressões para justificar internamente razões que o levem a ser assim. E como encontra ecos naturais para sua atitude, assume como certo, assume como consequência natural esse determinismo que na verdade não é dele, e sim de um sistema, artificial por definição, mas que tem suas características calcadas numa pantomima da natureza.

Se ao menos pudesse conservar o respeito e a simbiose dos animais para com o meio ambiente, essa atitude não seria tão catastrófica. Mas não... A pantomima está justamente numa imitação gestual que subverte a essência do imitado : ao mesmo tempo que imita uma naturalidade aparente entre poderosos e comandados, depedra e esgota os recursos do planeta, coisa anti-natural e decretadora de nosso possível fim.

Se tivermos que imitar a natureza para nos sentirmos legitimizados em nossas ações, que seja então imitado o respeito e a simbiose que os animais tem em relação a ela. Guardemos nossa capacidade de subverter a naturalidade estabelecendo novos paradigmas para as relações humanas, preocupando-nos com o próximo, minimizando sistematicamente a miséria, a exclusão social e a fome do mundo... Por que não ? As coisas seriam as mesmas, apenas se invertendo a pantomima, isto é; o que se imita do que se subverte.

Aqueles que acham que o homem pode ser sujeito de sua história e mudar paradigmas de acordo com ideias de coletividade, se vêem de mãos atadas por uma sórdida ação devastadora de um sistema que não tem escrúpulos para manter-se vivo. E isso revolta os radicais, cria embates, cria desavenças e faz perder o sentido mais puro e nobre de uma luta que não é individual, e sim por todos nós...

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O Liberalismo

A ideologia liberal foi produzida por Locke e Adam Smith para justificar um conjunto de idéias que legitimizava a propriedade privada de meios de produção e a livre iniciativa empreendedora. Os pilares "propriedade e liberdade" foram traduzidos de uma realidade que se constituiu após a dissolução da sociedade feudal e protagonizada por uma classe nova, chamada burguesa, que se avolumava na sociedade com a queda das monarquias.

Desde sua gênese, é notório que o segundo pilar "liberdade" se condicionava totalmente ao primeiro : "propriedade", já que quem era livre para fazer o que quisesse era apenas quem detinha a propriedade dos meios de produção, cabendo a quem não tinha propriedade dispor apenas de sua força de trabalho, logo sem liberdade sobre si mesmo.

Enquanto os detentores dos meios de produção flexibilizava sua propriedade para a produção do que melhor lhe conviesse, quem detinha apenas a propriedade de sua força de trabalho era obrigado a se submeter aos proprietários dos meios de produção. Esse fato é omitido do ideário liberal. Outra coisa que também o ideário liberal omite, já que é um sistema-filosófico que confirma uma ideologia e não propõe uma visão crítica, é a origem da propriedade privada da terra (o primeiro meio de produção), legitimizando assim a usurpação de bens e a tomada do mesmo por meio da violência e da guerra, ao custo de vidas humanas.

Calcado na escola fisiocrata, que levava às últimas consequências o egoísmo humano como natural, o liberalismo via a divisão de classes como dado no mundo, sem questionar sua validade para o homem enquanto ser social. No ideário liberal, cada homem é livre para fazer o que quiser de sua propriedade, seja ela um bem de capital ou força de trabalho. Como corolário, prega-se que todos são iguais, omitindo-se a usurpação e vilipêndio como origem da propriedade privada.

O princípio fundamental da lei burguesa é corolário da premissa acima, de onde se depreende que "todo homem é igual perante a lei". E deveria ser, principalmente se a lei alcançasse a origem dos bens de cada homem e pudesse ser aplicada contra a usurpação e vilipêndio que origina as propriedades privadas.

O segundo princípio liberal depreende-se do princípio fundamental de igualdade e prega que a organização social baseada na igualdade entre todos preserva o Bem Comum, e resguarda a propriedade e a liberdade individual. Se serve ao bem comum, não há luta de classes e nem antagonismos sociais, logo as açoes são regidas pela razão, donde o racionalismo (corrente central filosófica do liberalismo representada por Descartes).

O liberalismo portanto não se configura como corrente filosófica e sim ideológica e doutrinária, legitimizando o interesse de uma classe específica que funda seu pensamento no racionalismo e professa um discurso lacunar para se estabelecer. Esse discurso lacunar, claro, é dado não por aquilo que ele afirma, mas pelo que omite. O que afirma, cumpre ideologicamente a doutrinação que precisa para suprimir a idéia de luta de classe e da exploração, enquanto que omite a raiz de seu sistema (o crime na instituição da propriedade privada) que estabelece a diferença de classes sociais, a opressão, a exploração e uma corrente de idéias que faz com que os explorados aceitem serem explorados na falsa noção de que têm liberdade de escolha.

Aqui não tem nenhuma crítica no sentido de indicar alguma alternativa ao sistema em que nos inserimos como seres humanos. A crítica, tomada em sua acepção vernacular, é a forma de entender profundamente uma problemática que se coloca a nossa frente. É esse o intuito.

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Conservadores e Liberais

Em 3 mídias diferentes; Terra, Jornal da Ciência e Revistas Época saiu uma notícia que me fez pensar: uma pesquisa feita na Universidade de Nova York e publicada na revista Nature Neuroscience coloca em cheque a noção de que a diferença entre pensamentos liberais e conservadores advém de uma postura filosófica de vida, sugerindo que ela pode ter origem na forma como cérebro reage a certas situações.

Os pesquisadores trabalharam com um grupo de 43 voluntários que responderam a uma série de perguntas enquanto tinham seus cérebros monitorados por eletroencefalogramas. No entando não foi levado em consideração as posturas políticas dos entrevistados, mas sim as reações de cada um em situações do dia-a-dia que envolviam decisões rápidas e mudanças.

Segundo o Dr. PHD David Amodio que coordena a equipe, as diferenças na hora de tomada de decisões estão relacionadas a um processo chamado "Monitoramento de Conflitos": um mecanismo que detecta quando uma resposta padrão não é apropriada para uma nova situação. Esse processo está relacionado com as reações do córtex cingulado anterior, mostrando variação na atividade cerebral em níveis diferentes dentro do grupo, cujos membros se declararam liberais ou conservadores. Os auto-intitulados liberais tiveram uma atividade cerebral maior na região que monitora conflitos quando confrontados com a perspectiva de mudanças, e a maioria tomou decisões que fugiam das situações de rotina, enquanto que os conservadores tiveram atividade cerebral menor na região e optaram por continuar a rotina mesmo com algum impedimento.

Um dos exemplos de teste foi a hipotética situação de uma obra impedindo o trajeto diário de ida ao trabalho. Os liberais foram mais flexíveis em procurar outros caminhos, os conservadores não. Segundo O Dr. David, provavelmente o controle de conflitos tem origem genética, já que é possivel detectar desde tenra idade e na mesma família, posturas diferentes em seus bebês, descartando possivelmente as influências culturais como determinantes.

Eu penso que muitos elementos comportamentais e formas de se pensar são herdados de alguma maneira por nós. Existe uma predisposição genética inata, mas não sei até que ponto essa predisposição pode determinar um comportamento específico dado um ambiente cultural forjando sua cosmovisão...

Penso ser temerária tanto a visão determinista quanto a que se fundamenta somente no aprendizado e meio como constituintes de nossas personalidades, caráter e sobre tudo visão de mundo... Nossos neurônios são responsáveis por arranjos que determinam nossa forma de pensar em vários aspectos e existem áreas no cérebro que são responsáveis, ou refletem muitos comportamentos. Não é leviano pensar que podemos herdar certas respostas prontas forjadas por milênios por nossos antepassados, sem contudo negar a influência do meio nessas mesmas respostas... Penso haver uma influência dupla na nossa formação enquanto seres humanos inseridos na história.

O mapeamento do genoma humano está deixando muita gente de cabelo em pé. Eu não consigo ainda aceitar um determinismo total e imperativo em nossos comportamentos, mas é fato que nascemos com alguns traços de nossa personalidade mais ou menos delineados.

Meu filho ja nasceu com reações dele, próprias, a certas coisas que não foram fruto de aprendizado. Isso é espantoso constatar, à revelia inclusive, de muitos antropológos que nos concebe enquanto humanos, fruto do meio e da socialização, da cultura, totalmente... Não somos... somos um misto...

Eu penso que existe uma retroalimentação constante entre instâncias determinantes e condicionantes que delineam como somos e como a sociedade ao qual estamos inseridos se configura.

Penso que dentro do arcabouço que subjaz em nossa individualidade (nos tornando sujeitos), existe todo um patrimônio genético que nos dota de certas respostas ancestrais forjadas por milênios de evolução. Somos sujeitos justamente por estarmos "sujeitos" a essas instâncias subjacentes a nós, todos os afetos, acervo mnésico, referências e influências no meio. No entanto forjamos nossa individualidade na alteridade, isto é, na sociedade, inseridos na cultura, convivendo com o outro. Assim somos sujeitos e objeto, indivíduos, em nossa subjetividade e na alteridade.

E como se configura essa sociedade que nos molda tanto quanto nossa subjetividade ?

Estrutura Social

Fatores Determinantes : Ideário, Costumes, Tradição, Mentalidade Social, Instituição de Poder, Finalidade.

Fatores Condicionantes : Patrimônio Genético, Meio Ambiente, Tecnologia.Entendo os fatores determinantes como aqueles que comandam ou impulsionam a vida social, na medida que os fatores condicionantes estabelecem limites para a vida social e seu desenvolvimento. (Comparato, 2006:21)

Ambos fatores estabelecem entre si uma relação de recíproca influencia, retroalimentando cada instância atraves da outra... A Estrutura Social influencia o indivíduo da mesma forma que é formada por eles, tornando-se conforme Durkheim, maior que a soma das partes, inclusive.

Nós, como microcosmo, em nossa individuação (Jung), sofremos ação dos fatores determinantes de nossa conduta, assim como a Estrutura Social : cultura, religião, tradição familiar, autoridade, etc... Mas temos toda nossa vida influenciada pelos fatores condicionantes : patrimônio genético, subjetividades, capacidade cognitiva (tecnologia) e condições materiais (meio ambiente).

Logo, a matéria faz sentido. Basta sabermos identificar em nós essa tendência e vermos se conseguirmos subvertê-la a favor do que julgamos ser correto e de bom senso.

O que acha ?

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terça-feira, 13 de novembro de 2007

O Sacrifício

Sacrifício vem etimologicamente de sacro-ofício. Isto é, uma atividade importante, sagrada, que deve ser venerada. Talvez por isso seja tão difícil o exercício da filosofia. É um sacrifício, onde imolamos nosso próprio ser no altar da sabedoria.

Fugir das verdades prontas para construir sua própria linha de pensamento, é um sacro-ofício. Contrapor-se ao senso comum mesmo que seja para depois confirmá-lo com propriedade, requer sacrifícios extenuantes. E tudo isso para ser incompreendido, ser chamado de prepotente, soberbo, vaidoso... Diria mártir...

E aqueles, sacrificados numa propaganda enganosa, que levando ao extremo a máxima socrática, decretaram a impossibilidade de alcançar a verdade absoluta, foram imolados pelo dogmatismo. Sacrificados e martirizados para renasceram na boca da modernidade, na genialidade louca de Nietszche, no existencialismo de Sartre, na fenomenologia de Husserl. Enquanto que os sábios, que tudo sabiam, vomitavam sua sapiência nos corredores eclesiásticos, imolando outros mártires...

O sacro-ofício da dúvida sistemática desafia os saberes instituídos como verdade. Denunciam a lógica perversa do mercado, do autoritarismo, do anarquismo irresponsável, do nihilismo pós-moderno e da ganância humana. E isso requer um sacro-ofício. Uma atividade sistemática de reconstrução de valores, um revolver de conceitos, tudo fluídico, em eterno movimento dialético, uma eterna dança de Shiva.

Os pilares do universo estão postos à prova. Libertaram no sacrifício o universo como medida do homem, e imolaram-se para embrenharem-se nesse mesmo universo, conhecendo-o desde dentro. Eis o ofício mais nobre de um ser sagrado.

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Alerta - Seleção Artificial

Esse artigo também é para os detratores de Darwin de plantão...
A sociedade moderna cria necessidades em nós que nos obrigam a consumir até o que nos faz mal a saúde. Um dos motivos, além da própria lógica capitalista, é a credibilidade que damos ao mecanismo de propaganda e alarmismo que a mídia nos bombardeia diariamente. Tomamos como verdade o que nos chega de informação sem qualquer criticidade, e muito do que nos chega é igual aqueles boatos de chão de fábrica que você olha na cara do peão que está dizendo e não dá o mínimo de crédito. Pelo menos deveria ser.


Hoje, a iminência de novas doenças, próprias da contemporaneidade, nos faz temerosos e ávidos pelos avanços científicos para que nos protejamos. Uma infinidade de sabonetes, cremes de mão, produtos de limpeza de cozinha e até cremes dentais estão repletos de agentes antibacterianos em seus princípios ativos. Consumimos esses produtos na certeza de que eles nos protegerão dos males que essas bactérias provocariam. No entanto acontece o oposto, e isso está previsto na Teoria da Evolução das Espécies de Charles Darwin publicada a 150 anos atras.


O cliclo de vida de uma bactéria é super rápido, permitindo a troca de gerações várias vezes muito antes da própria doença ser detectada. E nessas trocas de gerações, conforme prevê a Teoria da Evolução, muitas mutações de forma aleatórias se dão. A ação de produtos antibacterianos a base de triclosan, fora dos padrões estabelecidos em uma análise médica séria, elimina apenas as bactérias menos resistentes e deixa terreno livre para que as bactérias mutantes e resistentes se proliferem. A ação do triclosan não faz com que somente as bactérias resistentes a ele sobreviva, mas a uma gama extensa de outros anti-bióticos (como demonstra pesquisa feita na Universidade de Colorado, comandada por Herbert Schweizer.


A gama de produtos a base desse bactericida é extensa, vai do que já falei mais acima até brinquedos, tábuas de corte para cozinha, mouse pads, papel de parede para a casa, e até tijelas para ração de animais. O mais preocupante é o efeito cascata promovido pela administração de anti-bióticos na própria ração de animais destinados a abate, nos fazendo ingerir uma ação fraca do anti-biótico que aumentaria em muito a proliferação de bactérias resistentes e cada vez mais fortes.


O que estamos fazendo é uma eugenia contra a raça humana, pela sede de lucro de empresas inescrupulosas e uma credulidade da população que engole propagandas dessas empresas e aceita o alarmismo irresponsável da mídia em reportagens assustadoras sobre a bactéria mortal CA-MRSA (Sataphilococcus aureus) que já matou 2 pessoas aparentemente saudáveis nos EUA. Estamos fazendo uma seleção artificial inconsciente para que essas bactérias nos matem.


Fica aqui um alerta. Os cientistas sérios dizem que o uso de sabão comum e produtos a base de álcool atuam aleatoriamente na eliminação das bactérias e não favorece uma população mutante em detrimento das outras, o que diminui a chance de proliferação das resistentes. Portanto, cuidado...

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Oi, amigos....

Poxa, depois de muita cobrança de amigos acabei fazendo um Blog para divulgar minhas idéias e saber a repercussão das mesmas. Espero poder atender às expectativas e contar com a participação dos amigos que lerão.

Porque um Blog ? Somos um vulcão.... As vezes adormecidos e às vezes em erupção. Hoje estou em erupção e quero partilhar as lavas incandescentes de meus pensamentos a quem possa interessar...

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