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sábado, 12 de junho de 2010

Jovens Velhos...

CorpoVelho-MenteJovem Existem jovens que são velhos. Velho já sabe tudo. Não acredita que existam mais coisas a serem nomeadas e relacionadas. Tudo já se encontra encaixado naquilo que sempre esteve e ele já descobriu ao longo da vida. Quando é que recuperaremos enquanto humanidade a nossa capacidade de nomear as coisas novamente, de estabelecer novas relações e valores entre elas?

Quando abrimos mão de corresponder à expectativas, sejam do mundo, da sociedade e nossas mesmos, parece-me que recuperamos uma antiga capacidade humana (própria até da juventude) de nomear o mundo muito mais por aquilo que desejamos dele, do que por aquilo que ele espera de nós. E é só assim que transformamos o mundo, ou seja, quando abrimos mão de reproduzir os nomes e as relações já estabelecidas e passamos a nomeá-lo (ele e as coisas dele) a partir de novas perspectivas e desejos que não reprimimos para atender o status quo.

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sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

Haiti : existem coisas que parecem conspirar…

haiti-generation Eu estava ensaiando uma forma de dizer alguma coisa sobre a tragédia que abateu o Haiti. Pensava a respeito, mesmo cheio de coisas para fazer, compromissos, trabalhos, estudos… Mas qual o que? Como pensar em compromissos, trabalhos e estudos diante de algo assombroso e absolutamente trágico desse? Quantas pessoas? Cem mim, centro e cinqüenta mil? Resolvi apenas escrever; refletir enquanto escrevo. Por todos os lados que tento olhar o acontecido, só uma coisa sobrevém: existem coisas que,  simplesmente, acontecem…. E são absurdas.

Fazendo uma pesquisa rápida na internet, encontro no Scielo uma resenha do livro Os Jacobinos Negros chamada O Épico e o Trágico na história do Haiti do historiador Jacob Gorender. No início da resenha Gorender diz:

“NESTE PRECISO momento, em que escrevo a resenha de um livro notável sobre o Haiti, o país caribenho esteve assolado por uma rebelião sangrenta, que obrigou o presidente Jean Bertrand Aristide a abandonar o cargo e se refugiar no exterior. Em dois séculos de história, no entanto, Aristide foi o primeiro governante haitiano a exercer o poder após conquista-lo pela via eleitoral, em 1994.”

O Haiti, de primeiro país latino-americano a conquistar sua independência nacional e ter sido a colônia mais produtiva das Américas, em menos de 150 anos, tornou-se o país mais pobre do continente. Independente do terremoto desse ano, que cai sob a égide, talvez, da maior tragédia natural do milênio, o Haiti era prova viva de que o ideal cubano, ao invés de morrer, poderia apenas ser melhorado rumo a uma possível democracia socialista. Um caso, sem sombra de dúvidas, de um capitalismo que não deu certo.

Historicamente, os dois terços da população negra da ilha sofreram as mais cruéis barbáries, explorações e abusos que se tem notícia, muitos, senão a maioria, semelhantes ao regime escravocrata brasileiro. Quando se viram livres e independentes, optaram a voltar a uma cultura de subsistência e a não ingressar na competitividade mundial, apesar de serem grandes produtores de açúcar.

Mesmo épica, com os levantes heróicos contra a colonização e, posteriormente, com a declaração definitiva da independência (vencendo franceses, ingleses e espanhóis) a história do Haiti se confunde com a impulsividade e a “circunstancialidade” de quem apenas quer um lugar para encostar e ficar quietinho; vivendo em paz e da maneira que melhor lhe aprouver. Não querem ser ricos, não querem competir, querem apenas subsistir e continuar subsistindo. A cada líder, seduzido pelos acenos internacionais que querem alguma vantagem posterior, o povo imiscui-se de sua responsabilidade por si próprio e deposita suas esperanças de forma messiânica. E toma…

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segunda-feira, 14 de julho de 2008

História, Historicidade, Historiografia e Filosofia

HISTÓRIA DA FILOSOFIA É engraçado como o problema real do ensino da História da Filosofia nos ensinos médios e superiores passa a largo da maioria das discussões sobre esse tema.

Se a História, enquanto disciplina, precisa se preocupar com as epistemes das épocas, ela não deveria ser tão impiedosa com os chamados perdedores e tão complacente com os chamados vencedores.

Para que serviria então a História enquanto ciências ? Aqui caberia fazer uma Filosofia da História para se saber como abordar a História da Filosofia, não é ?

Essa é uma falha imensa da Filosofia a meu ver. Quando ela, acertadamente, coloca como obrigatório o estudo histórico e a formação de uma bagagem de cultura geral antes do ato de filosofar, deveria antes praticar o que faz nas diversas ciências que analisa. Deveria, antes de tudo, ver se a forma como se faz a história responde realmente aos propósitos a que ela se propõe. Ela não faz isso, infelizmente... Aí, faz total sentido criticar as horas-aulas excessivas no ensino de História da Filosofia, tanto no ensino médio quanto nas Universidades.

O problema então, não está numa suposta carga excessiva de conteúdo histórico na formação de um filósofo, mas sim na historiografia que se usa, herdada de posturas viciadas que legitimam e privilegiam uma cosmovisão específica, e que coloca em evidência apenas o que interessa a um pequeno grupo que, "historicamente", foi responsável por selecionar o que deveria ou não ser estudado.

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