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segunda-feira, 1 de março de 2010

formspring.me

Pergunte-me o que gostaria de saber de mim! http://formspring.me/gilmirandajr

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segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

Paulicéia da Cefaléia: parabéns São Paulo 456 anos

Jockey Club de São Paulo A cidade de São Paulo chega ao seu 456º aniversário em estado de alerta pelas chuvas. O levantamento até ontem, dia 24/01/2010, dava conta de pelo menos 60 mortes desde o dia 1º de Dezembro. Junto a isso shows espalhados pela cidade faz a média por parte do governo da 4ª maior cidade do planeta.

São Paulo vive um cenário que deveria suscitar imensas discussões das pessoas engajadas na melhoria urbana, na discussão dos problemas nas megalópoles e tantos outros trabalhos visando prever e minimizar os efeitos do crescimento dessa cidade que responde por 33% do que é produzido em todo país. Porém vive no ostracismo de sua grandeza como se, comparado ao resto do Brasil, não tivesse o que reclamar. Tem sim, e muito!!!

Por outro lado, o mito do Sul Maravilha ainda persiste, fazendo com que cheguem os “ainda” desvalidos de todo canto para tentarem a sorte, como se São Paulo ainda precisasse ser construída por mão-de-obra semi-escrava para depois relega-la aos cinturões periféricos que lhe dão a fama de violenta a se organizarem em poderes paralelos que aterrorizam tantos os paulistanos quanto os migrantes e imigrantes que fazem dessa terra uma polinésia tupiniquim.

Mario de Andrade por Di Cavalcanti São Paulo já foi palco de revoluções, movimentos culturais importantes, que trouxeram os paulistanos e a cidade sempre em uma posição de vanguarda, apesar dos protestos dos “descolados” que se constituíam, por anuência e interesse do Estado, “os progressistas”. Assistimos aqui o nascedouro de movimentos que contaminaram o Brasil e o mundo, mesmo que esses movimentos não fossem protagonizados por seus “nativos”. Aliás, terra de Oswald, Mario e Rita Lee; terreno propício ao Tropicalismo Antropofágico e à Afrociberdélia do Mangue Beat, São Paulo importa, mastiga e cospe ao mundo tudo que lhe chega; abrigando, acolhendo, mas também fazendo sofrer, querendo luta e superação… São Paulo é antropofágico. Ele come seus inimigos e se torna mais forte. Quando é comido, irrompe das entranhas e surge mais forte. São Paulo é o único lugar do país em que podemos dizer: “é de todos nós”.

Do sotaque “italianado” ao arrastado caipira, já não sabemos mais como paulistano fala: ele fala a linguagem do mundo; terra de mil povos.

 

Uma Poesia a partir de SP

Em meados de 98/99 fiz uma poesia que expressava, ao menos na época, minha impressão da minha cidade. É curioso, e isso não é privilégio de paulistano, que somente nós, nativos, podemos falar mal e criticar nossa cidade. Viramos um “bicho” quando alguém de outro lugar vem falar da cidade, por mais pertinente que sejam as observações. Mas nós podemos, pois sabemos no fundo que nossa crítica não é excludente; é uma crítica que abriga um profundo desejo de melhora. São Paulo é grande demais, megalópole de um pais de terceiro mundo, não tem como não abrigar diversos problemas. Mesmo assim é o lugar da diversidade, do multiculturalismo, da transdisciplinariedade.

Abaixo segue a poesia… Pus em áudio também, com a música “Sampa” do Caetano Veloso ao fundo interpretada por Raphael Rabello ao violão e Paulo Moura no clarinete (instrumento que toco, inclusive) – espero que gostem e comentem…

 

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sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

Haiti : existem coisas que parecem conspirar…

haiti-generation Eu estava ensaiando uma forma de dizer alguma coisa sobre a tragédia que abateu o Haiti. Pensava a respeito, mesmo cheio de coisas para fazer, compromissos, trabalhos, estudos… Mas qual o que? Como pensar em compromissos, trabalhos e estudos diante de algo assombroso e absolutamente trágico desse? Quantas pessoas? Cem mim, centro e cinqüenta mil? Resolvi apenas escrever; refletir enquanto escrevo. Por todos os lados que tento olhar o acontecido, só uma coisa sobrevém: existem coisas que,  simplesmente, acontecem…. E são absurdas.

Fazendo uma pesquisa rápida na internet, encontro no Scielo uma resenha do livro Os Jacobinos Negros chamada O Épico e o Trágico na história do Haiti do historiador Jacob Gorender. No início da resenha Gorender diz:

“NESTE PRECISO momento, em que escrevo a resenha de um livro notável sobre o Haiti, o país caribenho esteve assolado por uma rebelião sangrenta, que obrigou o presidente Jean Bertrand Aristide a abandonar o cargo e se refugiar no exterior. Em dois séculos de história, no entanto, Aristide foi o primeiro governante haitiano a exercer o poder após conquista-lo pela via eleitoral, em 1994.”

O Haiti, de primeiro país latino-americano a conquistar sua independência nacional e ter sido a colônia mais produtiva das Américas, em menos de 150 anos, tornou-se o país mais pobre do continente. Independente do terremoto desse ano, que cai sob a égide, talvez, da maior tragédia natural do milênio, o Haiti era prova viva de que o ideal cubano, ao invés de morrer, poderia apenas ser melhorado rumo a uma possível democracia socialista. Um caso, sem sombra de dúvidas, de um capitalismo que não deu certo.

Historicamente, os dois terços da população negra da ilha sofreram as mais cruéis barbáries, explorações e abusos que se tem notícia, muitos, senão a maioria, semelhantes ao regime escravocrata brasileiro. Quando se viram livres e independentes, optaram a voltar a uma cultura de subsistência e a não ingressar na competitividade mundial, apesar de serem grandes produtores de açúcar.

Mesmo épica, com os levantes heróicos contra a colonização e, posteriormente, com a declaração definitiva da independência (vencendo franceses, ingleses e espanhóis) a história do Haiti se confunde com a impulsividade e a “circunstancialidade” de quem apenas quer um lugar para encostar e ficar quietinho; vivendo em paz e da maneira que melhor lhe aprouver. Não querem ser ricos, não querem competir, querem apenas subsistir e continuar subsistindo. A cada líder, seduzido pelos acenos internacionais que querem alguma vantagem posterior, o povo imiscui-se de sua responsabilidade por si próprio e deposita suas esperanças de forma messiânica. E toma…

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quarta-feira, 24 de junho de 2009

Quase Férias… Leituras e livros…

Poxa, falta pouco, e posso dizer que esse semestre foi puxado. Muitas decisões a serem tomadas, muitos rumos a serem definidos, pessoas importantes influenciando em meus pensamentos e, como sempre, uma correria atrás de recursos para fazer face às responsabilidades que acabamos assumindo na vida, na família e para nossos sonhos.

Mas quero tentar aproveitar meu tempo de férias. Quero ler muito, preparar artigos, publicar (em revistas indexadas) e também reformular meu Blog, mudar o lay-out, andar muito de moto e definir de vez meu trabalho de graduação para o ano que vem.

Essa semana tive um tarde livre e ao invés de postar aqui fui fazer algo que penso não decepcionar quem acompanha o Blog: levei meu filho, pela primeira vez, num sebo. É claro que ele queria ir ao shopping brincar na piscina de bolinha e comer no Mcdonalds rs… Mas quando chegou, adorou! E eu adorei que ele tenha adorado. Ficamos lendo revistas, olhando os livros, conversando sobre o que estávamos vendo. Puxa! Ele demonstrou curiosidades que nem sabia que ele tinha. Ele faz seu campo investigativo na circunstância em que vive, mapeando onde está e procurando os por quês da existência daquilo que o afeta. Em suma, parece já ter, incipiente, uma postura filosófica. Isso, claro, me deixa exultante.

Img1169 Impressiona-me também as associações que ele faz. Ao me perguntar a origem daqueles livros todos, respondi que as pessoas que tinham lido os livros que estavam ali, vendiam para o dono do local, que então revendia para outras pessoas que não tinham lido aqueles livros. Logo ele associou isso à quantidade de livros que tenho (adquiridos ao longo da minha vida, que não é curta rs). E isso me fez pensar na minha própria relação com os livros. Eu nunca vendi ou doei um livro. E por que? Minha relação com os livros é pessoal, não é impessoal. Cada livro que tenho parece fazer parte de mim e da minha história, mesmo que eu o renegue ou mesmo tenha me arrependido de ter lido; é parte de mim. Vende-los, doa-los ou (muitas vezes) até empresta-los soa-me como estar dispondo-me de mim mesmo e fragmentando ou destotalizando minha identidade. Que coisa mais tosca.

Img1171

Depois da conversa com ele, juro que tentei ver, em minha biblioteca, se eu poderia doar algum e dar a oportunidade para alguém lê-lo. Não consegui. Eu tentei, é sério. Talvez um dia eu monte uma biblioteca, já que emprestar até consigo, mas pareço uma sarna em cima dos amigos para que eles devolvam logo rs. Que coisa ! Mas valeu a experiência. Amei ver meu filho compartilhando comigo o ambiente que adoro e espero que ele também goste.

Logo eu volto, gente…

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sexta-feira, 24 de abril de 2009

Café, empada e ética...

Coisas da tecnologia. Estava meio impaciente pela demora em postar algo no Filosofando devido a inúmeros compromissos de trabalho e estudo. Diversos textos estão começados, mas falta concluí-los e com as coisas se atropelando.

Hoje, um celular, quinze minutos livres num café ou até em meio a uma leitura já bastam para um blogueiro. Eis-me postando diretamente do Coffe Prime do Shopping Jacareí com meu Moto Q11.

Estou lendo o livro Ética em Movimento, da Paullus, organizado por Anor Sganzerla, Ericson S. Falbretti e Francisco V. Bocca. Tenho um trabalho de ética em Nietzsche para fazer e a localização que Haroldo Osmar de Paula Jr. e Jelson Roberto de Oliveira fazem da fundamentação de toda ética nietzscheneana no livro a Origem da Tragédia, lançou-me novos olhares da obra de Nietzsche que tive a oportunidade de ler.

E
sse tipo de coisa se constitui naquelas obviedades que não damos conta e que ao ouvirmos não nos espanta, embora nos sintamos constrangidos de não termos sacado antes.

A Origem da Tragedia e o Espírito da Música é o primeiro livro de Nietzsche e o lançou no lugar eterno dos gênios. Nele, brilhantemente salientado pelos autores do texto, Nietzsche lança as bases de toda a sua filosofia, mesmo no futuro tendo criticado certa inocência em si mesmo quando o escreveu. Ele não chega a rejeitá-lo, porém.

Eu comecei a ler esse livro a algum tempo em meus estudos sobre a questão da racionalidade e a arte, dança contemporânea e filosofia. Hoje sua leitura ganha outras dimensões e importância que ainda serão motivo de muitas postagem aqui no Filosofando.

Tanto a crítica da racionalidade, a origem do niilismo, quanto a genealogia da moral e a ferrenha crítica ao cristianismo se encontram na Origem da Tragédia.

Bem, acabou o café. Vou para casa.

Enviado do meu Smartphone Windows Mobile®. Motorola Q11.

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terça-feira, 31 de março de 2009

Histórias antes de dormir....

Hoje eu resolvi não contar uma história ao meu filho. Ele estava esperando, querendo ouvir a fantasia fruto de alguém, tal qual Homero, que lhe desse parâmetros e direcionamentos de caráter; simples noção enquadrada na civilidade para que ele possa ser humano contextualizado.

O fundo real histórico que Homero imprimia em suas narrativas tão bem delineadas e dentro de cada um dos gregos que o lia ou ouvia, apenas servia como base sólida para o verdadeiro sentido do mito: a instrução, a modelagem de caráter, o ensinamento e o exemplo a ser considerado para serem, os gregos todos, parte de um mesmo grupo, na mesma identidade. O mito nos comunga, é preciso conta-lo e revive-lo.

Mas hoje não. Hoje é o último dia de março e prenuncia o mês em que Saturno estará mais perto da Terra. O ano de 2009 é o ano internacional da astronomia e o mês de abril se inicia como o mês mais promissor à observação do céu. Portanto minha história para ele foi outra.
 
Contei que antes dele nascer eu havia comprado uma luneta semi-profissional; aquelas com tripé e tudo mais. E que assim que eu reaprendesse a usa-la, nós iríamos ver as estrelas e o céu bem de pertinho, sem precisar estar lá.

Ele me disse:
- Nós vamos ver de pertinho, papai? Mas eu não consigo ir até a estrela, eu não alcanço.
E eu disse:
- Sim, nem você nem o papai. Nosso corpo não consegue. Mas a luneta pode levar nossa visão até lá.
E ele:
- Só a luneta? Eu queria ir todo.
Nossa, ele tem 3 anos, e eu disse:
- Só podemos ir inteiros quando imaginamos ou com uma nave espacial.

Curioso foi notar que ele tinha referências sobre naves espaciais. Os desenhos pululam o dia todo com naves, viagens interplanetárias. Isso ele já conhecia, não despertou curiosidade. Mas ele me perguntou sobre essa tal de imaginação. Dei-me conta que estava criando um ser totalmente racional e concreto, que tinha consciência dada pela experiência e pelos “nãos” que recebia de todos, e consciência, sobretudo, do quanto era limitado fisicamente e estava encerrado em algo do qual não podia sair.

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terça-feira, 30 de setembro de 2008

Aspectos Críticos da Consciência Ocidental na Antiguidade Clássica

Foi do dia 15 a 19 de Setembro de 2.008 que realizou-se na Faculdade Dehoniana de Taubaté a 4ª Semana Filosófica.

No dia 15, apresentei um visão pessoal sobre a temática direcionada para a Antiguidade Clássica, até Sócrates.

Três crises foram analisadas, as chamadas: Crise Solipsista, a Ciência Jônica e a Crise Antropológica.

Meu foco foi na Crise da Consciência, a Consciência Crítica e a Crítica da Consciência desenvolvida nesses três momentos históricos de crise.

Abaixo segue o vídeo dividido em 5 partes pode ser visto no Youtube nos seguintes endereços :

Parte 1: http://br.youtube.com/watch?v=6LZ-g8hzJ8c
Parte 2: http://br.youtube.com/watch?v=SjIjVmJ9XeI
Parte 3: http://br.youtube.com/watch?v=VhaZoOM8zHc
Parte 4: http://br.youtube.com/watch?v=UDmeOt2rTuo
Parte 5: http://br.youtube.com/watch?v=cB-zXuK7TsA

O texto base da apresentação pode ser baixado em pdf no endereço:
http://discovirtual.uol.com.br/disco_virtual/gil-jr/Filosofia/

Senha da pasta: filosofia

Arquivo: aspectos_criticos.pdf

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segunda-feira, 22 de setembro de 2008

Prêmio Dardos

Eu tenho a impressão que isso vai pegar... Senti-me tão bem ao receber a indicação de minha amiga Elis (Professora Elis do Sobre Educação) que é impossível não aderir a essa idéia. Para quem quiser saber mais, leia o post da Elis no blog dela > Meme a quem é de Meme....

Em suma, cada um de nós iremos indicar 15 Blogs ao Prêmio Dardos. Na verdade não sei se isso dará um prêmio de verdade, mas a ação da memória, de levar em conta, de lembrar quem nos é relevante, deveria ser tônica de nossas ações.

Tenho discutido muito sobre perspectivas... As coisas, em si mesmas, nessa pós-modernidade que desconstrói constantemente os "deveres-ser" de tudo, parecem não ter sentido. Aliás, a realidade e a própria existência, excetuando-se seus fins nelas próprias, parecem não ter um sentido que possamos dizer com propriedade qual é. No entanto, somos, enquanto humanos, construtores de sentidos... E o respeito, a vontade de congregar idéias, pensamentos e sentimentos, parece ter sentido próprio, pois independente de condicionamentos, nos sentimos bem quando somos lembrados. E por que não nos forjarmos a lembrar de quem nos faz, conosco, história ?

Esses blogs que eu indico aqui para o prêmio Dardos, de alguma forma me ajudaram a fazer minha própria história, pois em algum momento me fizeram refletir sobre minha condição de existente e ser-no-mundo em construção. Em algum momento fizeram-me ver que sem eles eu seria menos completo em minha mundianidade. Os premio então como agradecimento, respeito e profundo carinho, pois mal ou bem, essas pessoas, por traz de suas idéias, me tornaram o que sou...

Meus 15 indicados....

Dançar a Vida - Aline
Frenesy - Cris Correa
Daniel Pianista
Minestrone a Bolognesa - Caio e Paula
Filosofia Traduzida - Ezequiel
Moto Notícia - Rodrigo SP
Descontrole de Pensamento - Harry
Retalhos da Mente - Manoel
Lingüística - Cris Cunha
Sobre Educação - Professora Elis
Mundo Em Movimentos - Sérgio Coutinho
Eclipse Mental I - Yedra
Theorein - Carol
Constantin- Idéias Filosóficas
Marcelo Maurício - Crônicas e Cotidiano
De Rerum Natura

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segunda-feira, 14 de julho de 2008

Fome (Conto)

- Aqueles olhos-labareda a fitar-me, incandescidos e sem estirpe... Observa, arranca...! e desvio-me ao som dos cascos, em galope-sangue a pisar-me o estômago, urrando a sina de estar aqui, vida derramada... Isso apenas; derretida, escorrida, espraiando-se na luz difusa do meu candeeiro-peito... Sorvo as últimas gotas de lu-ci-dez quando a luz-se-fez, quando os cascos de Lú-ci-fer vociferava impropérios aos meus intestinos, enquanto o fogo de Prometeu lambia os gozos; gotículas de felicidade humana pontuadas em Zaratustra... Sou o Demiurgo... Morro em mim... A vida sugada pelos inexoráveis ditames da Vontade; saga sanguessuga dissimulada em existência. E os porquês se perdem, e os pulmões se inflam, e o escroto murcha...

Acordara naquela manhã com uma fome fora do normal. Devoraria tudo, sem medo, sem mágoa, como um Arjuna Tupiniquim. "Just do It"; pululava em sua mente inoculada de merchandising. Tateando a penumbra do quarto fechado, fome crescendo, ondas o invadia em freqüência modulada, batidas High-Tec na antixenofobia antropofágica da sua alma... alimentava-se...

Via-se na rua, andando, pessoas passando, pensando passado, refeitas, lutando. E a cada passo, sabia-se mais sábio na sucessividade do tempo. E no paço, sabia-se sadio, na coexistência dos espaços, alimentando-se na urbanidade hostil da selva concreta, cinza. Crescia junto aos cumes pontiagudos dos edifícios, aos que não se viam, em mundos paralelos, ficcionados em Buracos Negros, friccionados na pornocibernética do contato à distância.

- Os tecnocratas não sentem, cheiram, degustam, tocam, vêem... Quero morrer no campo, longe de tudo, deixar-me aos devoradores microscópicos a liberdade do meu pensamento pagão, entre planícies de mandrágoras... Em que acreditar ? As coisas me parecem meias verdades, dissimuladas em córtex, poesia, Darwins e mecânica quântica... É vã a busca por alimento numa terra sem identidade, amoral; faminta por saber-se algo.... que não sente...

No paço municipal, via-se mudo, olhando os transeuntes em cut-ups, past-ups, clips, idiossincráticos, como Requiém de Mozart ou Voodo Chile de Hendrix, polifônico, formigando as mãos, salivando os olhos em direção às pessoas mudas, curtas, sincronizadamente em passos largos ao paço público, lúdico.

Vozes, fome, olhos-labareda entreabertos no esôfago, fome... Via-se no centro de tudo, olhando para cima, ao cume dos prédios, girando eletrosfericamente na calçada de fótons, órbitas, geodésicas e nebulosas, faminto e só... Macunaíma esférico, desvairadamente Sampa de todos nós...

- Eu posso contemplar... Posso no paço, contemplar meus passos tímidos, ousados e trêmulos. Mas devoro ! Só assim sou... Mordendo, arrancando pedaços suculentos em postas de sangue fresco, chupando os ossos, mordendo a pélvis, arrancando sussurros destemidos da fome minha, só minha... Cortando transversalmente Oswald, Picasso, e Dali... Que vida dadaísta... Busca do belo ? O belo é bom ? O bom é belo ? O que é belo e o que é bom ? A arte é gruta, vagina, úmida e incandescida, é re-volta à Terra, útero e mãe, clitóris-púbis... Curvas do quadril-cintura... Colo... Arte-ovário, pênis-poeta ! "Lingam-Yoni".

Gilberto M. Jr. - 14/11/1998

 

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Fujamos (Poesia)

Penumbra na boca
Saliva nos olhos...
E a cada "não", revolvemos a terra
Em busca da utopia perdida !

Somos infinitesimalmente
Menores que nós mesmos
E soberbos...
Com sangue nas ventas
E tempestades no peito.


Fujamos,
Perdidos na lama agridoce dos pulmões
Revoltos na catarse do inconcebível
Repletos de luzes néon, heliocêntricas...
Regidos pelos incandescidos plexos
Passionalmente insanos...

Gilberto Miranda Júnior - 22/09/98

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quinta-feira, 1 de maio de 2008

Filosofando na Estrada

Do que serve a filosofia se não for para transporta-la em nosso dia a dia e lançar um olhar diferente sobre o mundo? O conhecimento, a verdade, a realidade, a sociedade e nossas relações; desde a Grécia antiga vem sendo investigados, ponderados, analisados e reconstruídos pelo pensamento filosófico; e aspirantes a filósofos precisam exercitar esse novo olhar, sobretudo, usando sua própria vida em princípio, e abarcando esse olhar a tudo que chega às suas percepções.

Esse ano, dei-me por mim como um ser que viveu à beira da estrada por quase toda minha vida. Desde minha mudança da Vila Guilherme em São Paulo, para uma passagem rápida até os 8 anos na Penha, mudei para Guarulhos e vivi até os 30 anos, quando mudei para o Vale do Paraíba a trabalho. De lá para cá, lá se vão 32 anos vivendo com a Rodovia Presidente Dutra ao meu redor.

Não sei até que ponto a proximidade de uma estrada pode influenciar nosso pensamento, mas agora, estudando academicamente Filosofia, me deparo com uma característica cética e relativista em meu pensamento que me faz buscar essas referências em mim. Sou um filho da Dutra.

É possível vincular nossa forma de pensar às origens que nos forjaram ser o que somos? Meu professor, mestre em Filosofia da PUC, Atanásio (o Grego), diz em suas aulas que um filósofo é o que é graças, sobretudo, de onde ele veio, suas origens, suas raízes. É impossível fugir delas. No entanto, penso aqui comigo, que essas origens extrapolam o contexto sócio-cultural em que nos inserimos, e abarca também um contexto geográfico. Se não for assim, mesmo não tendo sido criado numa família rígida e autoritária, minha formação em colégio de padres (Claretiano de Guarulhos) em plena ditadura e tendo servido o exército, me fariam uma pessoa bem menos eclética do que sou.

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sexta-feira, 22 de fevereiro de 2008

Filosofia Palatável

boca1 Há algum tempo atrás escrevi um poema (quando participava da Companhia Literária Mote Perpétuo em 99 – com meus amigos diletos Alaércio, César e Cláudio), que falava justamente sobre o poder da língua, da boca. Parece-me hoje que valha a reprodução. A questão da linguagem e do que representa esse poder de nomear, designar e nos comunicarmos é há tempos discutido filosoficamente e merece um destaque a partir dos últimos acontecimento.

A Boca

A boca escreve das coisas
Só o que as coisas têm de inefáveis,
A boca come, ingere, mastiga...
Ela mente, xinga, ri e trai...
A boca regurgita, aspira ao pulmão
Coisas que nos mantém vivos.

A boca desenha a vida em nossas almas,
A boca abocanha, escancarada,
A vida brotando nela, engole
A mixórdia do mundo kaos...
A boca é caos com K, Grecolatinamente boca,
Cantada, decantada, encantada
Boca sem dente, luva desbocada,
Amada boca, de palato e saliva
De solitude e palavras,
De sotaque e Somálias
Famintas e certeiras...

Boca que procura bico,
Tórax; da cópia, coronária,
Canária, canto úmido das bocas sedentas...
Sandálias, da boca pescadora, do peixe
Que morre pela boca, mas não escreve
Que mata, mordendo o manto da morte

Boca morta, entreaberta
Em arcadas jogadas, exumadas,
Ex humanos de bocas caladas,
Na calada dos guetos, boca do lixo...
Boca amada, vermelha insaciável,
Sugando a vida espremida,
Canalizada na uretra da boca,

Boca, boca...

Sem ânimo, anima almejada
Boca, cloaca, retal...
Boca invertida, molhada, vagina,
Devoradora boca de loba, malvada –
Malversada, maledicente, melodiosa...

Boca delgada, carnuda,
Desnuda, imunda, pura
Boca santa, boca mantra
Em sons e dons de cura, crua

A boca desdenha, compra e vende
A boca desvela, nivela, revela
As palavras arcaicas, imemoriais
Boca, boca, boca, Haikai...

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segunda-feira, 24 de dezembro de 2007

Diário de Bordo

Estava na Book Prime, no Shopping Jacareí tomando aquele expresso feito pela vendedora (alias, todas atendem super bem), quando de relance vi um livro intitulado “Planejar Gêneros Acadêmicos”, de Anna Rachel Machado (coordenação), Eliane Lousada e Lília Santos Abreu-Tardelli. Chamou-me especial atenção esse livro, pois ao foleá-lo, percebi que não se tratava daqueles manuais chatos de como fazer uma tese, ensaio, monografia ou coisa que o valha. Eram dicas que ultrapassavam a formalidade de um gênero científico, e que permeavam desde a escolha do tema, pesquisa, formulação e a própria construção da situação de produção. Achei muito interessante e comprei.

Tem um capítulo nesse livro que se chama “A elaboração e manutenção de um diário de pesquisa”, na seção 2, página 23. Uma das autoras diz:

Se você procurar biografias de grandes pensadores e escritores, dificilmente encontrará algum que não tenha mantido um ‘diário’ ou um ‘diário de pesquisa’. É o caso, por exemplo, de Malinowski, Leiris, Morin, Ferenczi e Wittgenstein, Virgínia Wolff, Elias Canetti e tantos outros. Há até um livro que fala só sobre isso (Le journal de recherche, Lourau, 1.988).
Assim, consideramos que é indispensável que, desde o início de seu trabalho, você comece a redigir o seu diário de pesquisa.”

A autora do livro, após uns testes para o leitor responder (eles usam desse expediente para poder fixar bem o conteúdo do texto do livro), faz um apanhado de exemplos sobre vários diários e inclui neles, interessantemente, Blogs como esse aqui. Ela só esquece de mencionar o fantástico diário de Darwin, que ele começou em sua viagem com o Beagle e continuou mantendo vários no amadurecimento das suas idéias que mais tarde transformaria a forma como as pessoas veriam o mundo, os seres vivos e a natureza. Particularmente, estou lendo o livro “As Dúvidas do Sr. Darwin” de David Quammen, da Companhia das Letras, um livro apaixonante que também comprei na Prime, aliás, no mesmo dia.

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sexta-feira, 16 de novembro de 2007

Carlos e As Mulheres

mulheres-1 Essa é uma história de desejos... Ou estória, como diria Guimarães Rosa. Desejos masculinos, bidimensionais, óbvios e prosaicos, como diriam as mulheres. Carlos era assim, como todos nós homens; óbvio e prosaico, bidimensional e masculino. Quando conhecia mulher logo a imaginava nua, reluzindo corpo numa penumbra de alcova qualquer, mostrando e escondendo desejos, deixando-o que adivinhasse o que queria, seus baratos e afins, o que a fazia sentir-se mulher. Para ele, talvez nem importasse o quanto fosse bonita ou feia, gorda, magra, dentuça ou sorriso de sol poente... Para Carlos, o importante era a "mulher" na concepção mais pura da palavra, com seus jogos, esgueirando-se em felinos olhares de musa...

Mas não pensem que Carlos era um pervertido, devasso, promíscuo ou coisa que o valha. Simplesmente nele, clamava o desejo de forma sobre-humana, ou infra-humana (?), pulsando em cada poro a possibilidade de poder deliciar-se com a natureza feminina, qual Édipo, druida da Lua, Deusa-Mãe dos oprimidos...

Seu prazer passava à largo do próprio orgasmo; sua sina, qual Arjuna em Kuruksetra, resumia-se na satisfação plena das mulheres, como dever inerente à perfeição. E não havia vaidade própria dos "Dom Juans", que viam no prazer feminino a confirmação de pretensiosa arrogância, convencidos de que fossem ótimos, perfeitos. Carlos não, simplesmente seu prazer estava no espetáculo de poder presenciar uma mulher feliz, satisfeita, plena, além de orgasmos, para ver-se como verdadeira mulher, ápice da evolução... Qualquer que fosse a mulher, quando sentia-se assim; plena, mulher, seria capaz de tudo, o mundo prostrar-se-ia aos seus pés femininos, últimos como espécie a pisar na face da Mãe-Terra, reduto de tentativas e erros da vida maior, geodésicos no caminho mais curto a qualquer ponto imaginável. No fundo, e analisando Carlos e sua vida sem preconceitos, talvez ele fosse um grande feminista, isso sim...

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