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sábado, 13 de fevereiro de 2010

Acaso, Aleatoriedade e Propósito (Parte 1)

Um dos grandes problemas epistemológicos que a teologia enfrenta ao analisarmos filosoficamente a relação humana com o divino é: até que ponto é atribuído a Deus as características que o homem precisa atribuir a si mesmo ou que as tomam a partir da necessidade de aspirar-se a uma determinada forma de ser? Outra questão importante também é: até que ponto o homem tem acesso a uma suposta natureza divina para postulá-la em suas características e poder construir discursos sobre ela? E por último, como deve ser classificado esse discurso diante da dúvida iminente sobre se o homem teria as propriedades e competências epistêmicas para construir um discurso sobre o divino e sua natureza? As três indagações se interpenetram e fazem um télos próprio que torna insustentável certos argumento que tentam se fazer de científicos, mas caem no puro proselitismo religioso.

mao_de_deusDessa forma, o grande problema no “raciocínio” dos postulantes ao Design Inteligente (doutrina criacionista dissimulada em pseudociência) é confundir uma teleonomia verificada em um sistema organizado e complexo, consumidor de energia, com um projeto prévio e intencional de origem divina. Antes disso, porém, esse projeto postula-se ligado por um princípio conseqüente de uma idéia sobre como Deus ou essa Inteligência deva agir e ser: conhecimento tal que é preciso revestir-se de uma arrogância sem limites para postular.

Ou seja, problematizo aqui não só a conexão necessária entre teleonomia1a e projeto intencional, como também a petição de princípio de um conhecimento não justificado da natureza e forma de agir de uma suposta força inteligente (Deus) que o ser humano dificilmente teria acesso ou cognoscibilidade.

Essas petições não têm estatuto científico, tampouco se baseiam em uma heurística que se possa considerar epistemicamente virtuosa, pois se tratam em todas as instâncias possíveis de um salto de fé com intuito de conferir sentido a uma ignorância provavelmente eterna para os seres humanos. Mesmo que não possamos defini-la como “eterna”, há de se escolher um método de aproximação (heurística2) que afaste de todas as formas as petições de princípios não verificáveis. Por outro lado, decorre desse “salto” a propalada suposta evidência à frente de conceitos criacionistas famosos como: Complexidade Irredutível e Complexidade Especificada.

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sábado, 23 de janeiro de 2010

O Necessário e o Supérfluo

Caneca USB Sonhos de consumo, vontades, desejos… Aparentemente coisas que não nos darão nada além do que satisfação momentânea, mas que se tornam importantes, desejosas, queridas e, pasmem, necessárias até. Dois exemplos estão aqui: uma Caneca USB e um Óculos com Head Fone Bluetooth. Que delícia…. rs… E como são necessários. mesmo que eu nem soubesse que eram necessários antes de vê-los e saber de suas existências. Isso não é estranho? De onde vem essa necessidade? Como ela nasce, se é que nasce? Ou é pré-existente, nos contaminando e fazendo com que queiramos e necessitemos de algo que nem sequer tínhamos consciência de sua existência?

Óculos Bluetooth A falta que esses produtos preenchem em mim já existia ou ela se constituiu a partir do benefício que minha percepção atribui, circunstancialmente, a eles? E esse suposto benefício em que consiste? Seria o caso de classificarmos quais benefícios são necessários e quais são supérfluos? Não estaria na carência de liberdade, percebida em nossa própria condição existencial, o arcabouço genético1 das necessidades do sujeito?

Desenvolvamos melhor isso. Em uma conversa com minha amiga Paula no Orkut, discutíamos os cárceres do sujeito e a liberdade em Sartre. Na ocasião escrevi a ela:

“Desde a invenção do EU, do EGO, do Si Mesmo, [ou da auto-consciência emergindo como condição humana] o homem projeta de si (do Sujeito que quer) um Eu que se relaciona com o mundo. Tanto Sartre como Lacan consideram esse EU (EGO) uma ficção2 que reproduz, via má-fé, os papéis que dão manutenção a essas “prisões” determinísticas de forma ideológica. É a primeira alienação humana. O Sujeito é encarcerado nesse EGO que medeia a relação de nossa condição com a circunstância. Porém essa mediação histórica é condicionada a ser sempre a favor da circunstância e o homem ainda não se viu livre dos valores que o obrigam a determinar-se nela. “

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sábado, 2 de maio de 2009

Existência na Fenomenologia

Para a fenomenologia a existência é faticidade. Aquilo que se vê, sensível, interagente entre os de mesma categoria, existentes. No entanto, melhor seria separar essa faticidade considerada pela fenomenologia da faticidade considerada pelo existencialismo.

A fenomenologia, assim como o próprio existencialismo, assemelha-se mais a uma abordagem, a um método para um pensar filosófico do que um corpo de princípios conceituais unificados que se possa denominar uma “Filosofia”.

Portanto, dentre os que adotam o método fenomenológico para lançar um olhar sobre a existência, muitos deles escolheram questões teoréticas que ora privilegia a existência em si mesma, ora privilegia o existente e como ele olha para a existência.

husserl_edmund Edmund Husserl (1859-1938), considerado pai da fenomenologia, foi o primeiro a tentar organizar o método fenomenológico, adotando uma teorética diferente dos existencialistas, embora tenha influenciado a todos eles e tenha sido pioneiro e inspirador das idéias de Heidegger (1889-1976), Sartre (1905-1980) e Merleau-Ponty (1908-1961) entre outros. Husserl estava interessado no sentido subjetivo da existência, colocando a própria existência, segundo suas palavras, em “parênteses”. A faticidade existencial que preocupava Husserl era a que dava sentido à existência das coisas e determinava as coisas naquilo que elas são enquanto existentes. Dessa forma procurava a essência, o sentido que configurava a existência, aquilo que era determinante de sua figuração sensível. A existência dos fatos, em si mesma, deveria ser colocada em parênteses para que fosse entendida através dos sentidos que a colocava em evidência.

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