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sexta-feira, 2 de abril de 2010

Evolucionismo.Ning – eu faço parte…

Com muito orgulho assisti uma entrevista de Eli Vieira em vídeo postado no Orkut por minha amiga Asa Heuser. A entrevista foi feita pelo site do Instituto Ciência Hoje e repercute o que todos nós, que já acompanha o jovem Eli,  o esforço, dedicação e seriedade que ele tem no ensino da Teoria da Evolução e do benefício do esclarecimento e do conhecimento científico para muitas pessoas.

O orgulho, não só pela empatia que tenho por ele, reside também no fato de eu fazer parte de sua rede Evolucionismo, assistir seu crescimento pessoal e profissional e ainda ter a honra de ver artigos meus citados dentro dos cinco passos do evolucionista no portal, fazendo parte do Top 10 da comunidade.

Particularmente gostei muito da quarta parte da entrevista, a qual reproduzo o video aqui, mas recomendo que assistam e lêem tanto o texto quanto os vídeos todos no site do Ciência Hoje.

Nessa parte da entrevista, destaco a visão do Eli sobre a reconfiguração dos conflitos ideológicos como parte da facilidade da informação dada pela tecnologia. Ele diz::

“Algo que, na minha visão, potencializa isso [a questão da ampliação ideológica do conflito] é a tecnologia da informação. Então, em um ambiente em que tudo pode ser falado e tudo pode ser debatido, haverá conflito. Hoje na internet eu digo que a resposta para a pergunta milenar “De onde viemos” está na biologia evolutiva. De onde viemos? Nós viemos de uma população de primatas que viveu na África, no leste africano, há cerca de 200 mil anos atrás. (…) As ideologias negacionistas da evolução não são sempre religiosas.” (Eli Vieira)

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segunda-feira, 8 de março de 2010

Dia Internacional da Mulher (O que comemorar?)

Saindo do Terreno Comum

mulher Se a todos vocês não soar estranho o fato de um homem estar escrevendo um texto para o Dia Internacional da Mulher, é simplesmente por que o fato é sintomático da situação a qual vivemos em nossa sociedade. Gostaria, no entanto, que fosse sintomático de novos tempos onde a possibilidade de não ser necessário a celebração de um gênero específico nos mostrasse que estaríamos acima de dualidades ao tratar o ser humano. Infelizmente o sintoma é outro e infelizmente não é agradável.

Tanto o próprio fato de um homem estar escrevendo esse artigo quanto o fato de vocês não se espantarem, circunscrevem-se nos sintomas de uma sociedade que, embora lute cada vez mais para a diminuição das diferenças, está inserida numa cosmovisão maior que nem se apercebe daquilo que pode ser questionado e repensado em termos de modelos. Pensamos todos; homens, mulheres e transgêneros com base no pressuposto epistemológico falocêntrico do mundo globalizado.

A idéia desse ensaio em “comemoração” ao Dia Internacional da Mulher é justamente sair do terreno comum (da distribuição de botões de rosa, chocolatinhos, da exaltação da maternidade feminina, ou mesmo da pregação ideológica de igualdade) para suscitar, filosoficamente, o que pode ser questionado e sentido em relação à condição do feminino em nossa sociedade.

A família, tida como célula máter de nossa sociedade, desde sempre reproduziu em seu bojo os mesmos fundamentos pelos quais a nossa sociedade fora erigida. Porém, assistimos estupefatos a sua reformulação e a queda de conceitos arraigados que tanto nos foi caro em épocas precedentes para que pudéssemos saber onde estávamos e onde poderíamos ir. A sociedade atual, conseqüência direta de valores e conceitos decorrentes de uma forma de Ser baseada no sexismo e na competitividade, tem nos levado à iminência do esgotamento de todos os recursos naturais e éticos, fazendo prevalecer um valor único que determina todas as nossas ações: o individualismo competitivo do macho alfa.

Nesse contexto, pensar o feminino é pensar a sociedade como um todo; pensar na sociedade que queremos; pensar naquilo que nos funda como sociedade e indivíduos; pensar, sobretudo, na questão de gênero e nos valores que podem ser construídos, conservados e repensados na forja de novos olhares que vislumbrem um futuro desejável ao Ser Humano. E esse pensar não pode ser feito por uma única perspectiva, a não ser que ela se coloque acima das dicotomias e, portanto, emergindo a partir da pluralidade e da diferença constitutiva do próprio Ser Humano.

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sábado, 23 de janeiro de 2010

O Necessário e o Supérfluo

Caneca USB Sonhos de consumo, vontades, desejos… Aparentemente coisas que não nos darão nada além do que satisfação momentânea, mas que se tornam importantes, desejosas, queridas e, pasmem, necessárias até. Dois exemplos estão aqui: uma Caneca USB e um Óculos com Head Fone Bluetooth. Que delícia…. rs… E como são necessários. mesmo que eu nem soubesse que eram necessários antes de vê-los e saber de suas existências. Isso não é estranho? De onde vem essa necessidade? Como ela nasce, se é que nasce? Ou é pré-existente, nos contaminando e fazendo com que queiramos e necessitemos de algo que nem sequer tínhamos consciência de sua existência?

Óculos Bluetooth A falta que esses produtos preenchem em mim já existia ou ela se constituiu a partir do benefício que minha percepção atribui, circunstancialmente, a eles? E esse suposto benefício em que consiste? Seria o caso de classificarmos quais benefícios são necessários e quais são supérfluos? Não estaria na carência de liberdade, percebida em nossa própria condição existencial, o arcabouço genético1 das necessidades do sujeito?

Desenvolvamos melhor isso. Em uma conversa com minha amiga Paula no Orkut, discutíamos os cárceres do sujeito e a liberdade em Sartre. Na ocasião escrevi a ela:

“Desde a invenção do EU, do EGO, do Si Mesmo, [ou da auto-consciência emergindo como condição humana] o homem projeta de si (do Sujeito que quer) um Eu que se relaciona com o mundo. Tanto Sartre como Lacan consideram esse EU (EGO) uma ficção2 que reproduz, via má-fé, os papéis que dão manutenção a essas “prisões” determinísticas de forma ideológica. É a primeira alienação humana. O Sujeito é encarcerado nesse EGO que medeia a relação de nossa condição com a circunstância. Porém essa mediação histórica é condicionada a ser sempre a favor da circunstância e o homem ainda não se viu livre dos valores que o obrigam a determinar-se nela. “

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terça-feira, 5 de janeiro de 2010

Rex Extensa e Res Cogitans

Esse pequeno artigo foi originalmente publicado na Conecte (Blog da Associação Brasileira de Neurociências e Comportamento) em 10 de Outubro de 2009, podendo ser lido no original aqui: Rex Extensa e Res Cogitans. Reproduzo aqui no Blog por dois motivos: primeiro o orgulho de ter sido aceito um artigo meu em uma instituição que não é minha especialidade e nem minha área, trazendo uma reflexão filosófica a partir de Merleau-Ponty para as questões neurocientíficas. Sabemos que seus estudos contribuíram para o resgate de um monismo na questão mente-cérebro. Segundo é que já venho escrevendo sobre Ponty em alguns posts e esse vem a complementar meu estágio atual de estudo sobre esse filósofo fantástico e até relativamente pouco conhecido.

Vamos ao artigo…

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Uma nova filosofia, a filosofia do olhar, acontece quando se toma, historicamente, a inseparabilidade entre a Rex Extensa e a Res Cogitans, começando então um estudo de seu imbricamento no fenômeno humano. Em Vigiar e Punir Foucault nos diz que não é o corpo a prisão da alma. Se pudermos falar em prisões aqui, é justamente é a alma a prisão do corpo.

O Mecanicismo e o naturalismo nos fez perder a consideração de uma pluralidade de sentidos e uma diversidade de perspectivas possíveis que Merleau-Ponty tenta resgatar através de um exame minucioso da corporeidade e de suas relações e imbricamentos com as representações mentais que fazemos do mundo.
A realidade, para Merleau-Ponty, é inexaurível, inesgotável. Uma profusão de modos e fundos que se sobrepõem aos sentidos e que nos faz mergulhados em um mundo que a mente precisa categorizar para entender, e entender para extrair para si a utilidade da qual a consciência se intenciona e se volta.

Mas é então, nessa categorização mental, que temos a ilusão do entendimento. E se acreditamos entender, não pode haver nada mais além do que foi entendido, senão não foi entendido. E assim promovemos a cisão entre o que a mente percebe e o que o corpo nos diz. A mente prende o corpo, aprisiona tudo aquilo que vivencia e experimenta para nomear como realidade só aquilo que ela se dá como satisfeita nas categorizações que faz. É o reducionismo que nos traz tanta prisão.

A grande pergunta que se impõe, portanto, é: de que forma a mente se prende em suas categorizações se constituindo na prisão do corpo e como podemos fazer com que ela se abra para o que o corpo nos teria a dizer sobre o mundo? Como romper essa dicotomia entre corpo e mente nos vendo mais totais?

A neurociência teria muito a nos dizer se também pudesse nos ver mais totais do que simplesmente nos ver como efeito de uma causa mecânica. Em algum lugar entre a mente (como epifenômeno de processos físico-químicos) e os próprios processos corporais sintetizados no cérebro, antes de qualquer representação que essa mente produza, um Sujeito pré-consciente. Essa hipótese seria plausível?
Nas decisões que tomamos na ilusão de que somos conscientes de nosso ato decisório, há um processamento fora do limiar de nossa consciência, mas que de alguma forma, delibera em função de algo. Encontrar esse “algo” pelo qual todo nosso mecanismo corporal e representativo-cognitivo toma decisões antes mesmos de termos consciência dela, talvez seja o grande Graal filosófico-científico da contemporaneidade.

Onde ele estaria? Haveria, em alguma instância, a possibilidade real de um arbítrio livre? O que é ser livre?

by Gilberto Miranda Júnior in Rex Extensa e Res Cogitans no Conecte.
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A questão do livre-arbítrio e da liberdade é muito ampla e futuramente gostaria de trazer algumas reflexões sobre isso no Filosofando na Penumbra.

É isso. Um ótimo 2010 a todos.

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terça-feira, 14 de abril de 2009

Facas, Gumes e Reflexões sobre a Cegueira

Esse artigo é uma reflexão incidental sobre o artigo de minha amiga Paula Moiana da Costa, professora de biomedicina da Unipar, publicado em seu Blog (em parceria com Caio Mariani) Minestrone a Bolognesa. O artigo está em duas partes e chama-se Facas Cegas de Um Só Gume (clique para lê-los: As Idéias, parte 1 e Os Fatos, parte 2).

Parcialidades

Olhar de olhares 70x100 cm - Tela de Teresa Robal Não tem como não concordarmos com a tese que enxerga a ciência procurando a melhor descrição possível da realidade tanto quanto for alcançável a capacidade humana de observação. Porém é difícil hoje, na contemporaneidade, ainda mais com o aprofundamento dos estudos epistemológicos feministas e na concomitância das considerações filosóficas de Habermas, Kuhn, Derrida, Bachelard e outros, não considerarmos que essa "melhor descrição possível" traz em seu bojo certa determinação interna de cada pesquisador; ditada por seus próprios contextos culturais e históricos e confirmados e reproduzidos por toda a comunidade científica.

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quarta-feira, 14 de novembro de 2007

Conservadores e Liberais

Division Bell - Pink Floyd Em 3 mídias diferentes; Terra, Jornal da Ciência e Revistas Época saiu uma notícia que me fez pensar: uma pesquisa feita na Universidade de Nova York e publicada na revista Nature Neuroscience coloca em cheque a noção de que a diferença entre pensamentos liberais e conservadores advém de uma postura filosófica de vida, sugerindo que ela pode ter origem na forma como cérebro reage a certas situações.

Os pesquisadores trabalharam com um grupo de 43 voluntários que responderam a uma série de perguntas enquanto tinham seus cérebros monitorados por eletroencefalogramas. No entanto não foi levado em consideração as posturas políticas dos entrevistados, mas sim as reações de cada um em situações do dia-a-dia que envolviam decisões rápidas e mudanças.

Segundo o Dr. PHD David Amodio que coordena a equipe, as diferenças na hora de tomada de decisões estão relacionadas a um processo chamado "Monitoramento de Conflitos": um mecanismo que detecta quando uma resposta padrão não é apropriada para uma nova situação. Esse processo está relacionado com as reações do córtex cingulado anterior, mostrando variação na atividade cerebral em níveis diferentes dentro do grupo, cujos membros se declararam liberais ou conservadores. Os auto-intitulados liberais tiveram uma atividade cerebral maior na região que monitora conflitos quando confrontados com a perspectiva de mudanças, e a maioria tomou decisões que fugiam das situações de rotina, enquanto que os conservadores tiveram atividade cerebral menor na região e optaram por continuar a rotina mesmo com algum impedimento.

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