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sábado, 23 de outubro de 2010

Diálogos sobre Justificação

figura_01 Do Blog de um colega do Orkut (leia em Investigação Filosófica) foi afirmado que qualquer justificação de P teria que trazer como conceito a impossibilidade de não-P. Esse, sem dúvida, seria o melhor dos mundos e nas ciências naturais é muito provável que encontremos inúmeros exemplos desse tipo de justificação. Inclusive penso que o falseamento popperiano traz em seu bojo esse conceito desde que Popper se virou contra o positivismo. Porém Popper foi mais prudente, pois não precisamos “provar” nem demonstrar a impossibilidade de não-P. Basta que deixemos em aberto que se não-P existe, então P é falso. Pronto, estabelecemos com isso uma verdade provisória da afirmação de P. Penso que seja um critério mais lógico e possível que o do Rodrigo Cid.

O cerne da discussão parece-me ser a questão do que torna uma afirmação uma verdade indubitável. Não uma possibilidade de verdade, mas sim uma verdade total, diria até absoluta. Mas o que dá para concordar com o que foi dito?

Infelizmente a realidade não é tão “preto no branco” assim. Tudo seria mais fácil se fosse e por “precisar” ser mais fácil para uma maior previsibilidade, o ser humano foi pródigo em determinar que o mundo fosse sim “preto no branco” (e isso aconteceu até na esfera racial). Parece que assisto apenas uma inversão do positivismo, onde sua negação traz os mesmos vícios que o tornou o que é. É um paradoxo absolutista.

Em suma, se P só pode ser justificado pela impossibilidade de não-P, em tese poderíamos dispensar as razões de P existir? Percebem as conseqüências disso? Ou seja, posso justificar qualquer sandice desde que demonstre e justifique que a não-sandice seja impossível. Soa-me estranho, confesso. Pode até ser que eu não esteja alcançando o nível de raciocínio dos membros do Blog, mas soa-me realmente estranho.

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segunda-feira, 4 de maio de 2009

O Saber Científico e a Gripe Suína

porco_leitor Tenho acompanhado os ótimos posts do Osame Kinouchi (já sou fã dele) em seu ótimo blog SEMCIÊNCIA, mas liguei o computador hoje com uma sensação realmente ruim ao ver a notícia da Folha On Line de que os “Casos confirmados de gripe suína saltam para 898 em 18 países”.

Há quatro dias atrás, quando a gripe atingia apenas 1/4 do número de casos no mundo, Osame alertou no Roda de Ciências sobre o descaso que os blogueiros científicos estavam dando ao assunto. Desde que ela surgiu, inclusive associada à gripe aviária, me vi pensando sobre o assunto e tentando inferir meios de entender melhor os desdobramentos disso filosoficamente.

Coincidentemente, na semana em que os casos se tornaram mais alarmantes, eu fui com minha família ao posto de saúde de minha cidade para tomar a vacina anual contra gripe que a prefeitura oferece gratuitamente.

Essa é uma prática comum e mais de 150 milhões de pessoas no mundo se beneficiam da vacina que funciona basicamente pela inoculação de um vírus inativado que precipita o nosso sistema imunológico preparando-o para o caso de uma gripe real nos infectar. A cada ano é feita uma nova vacina, pois o vírus Influenza sofre mutações constantes e uma série de Grupos Regionais de Observação de Gripe (GROGs) sistematiza a coleta de informações para que a OMS (Organização Mundial de Saúde) forme as bases de elaboração da próxima vacina.

Para saber mais, consulte: Vacina.

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sexta-feira, 10 de abril de 2009

200 anos Darwin - uma comemoração do mundo (Resposta a Conexões Epistemológicas) II

Os argumentos sobre o caráter de Darwin

O restante do artigo, ideológico, anti-científico, tendencioso e repleto de falácias segue para os incautos (e digo isso me incluindo como incauto entre os amigos do Blogs de Ciência, já que o referido artigo é de 7 de fevereiro de 2009 e ninguém viu) a tentar denegrir uma Teoria Científica sem sequer tocar em seus postulados básicos, apenas tentando falar mal da pessoa Darwin naquilo que não tem a ver com o que ele legou à humanidade.

Dizer que Darwin, ao dizer em sua autobiografia que gostava de inventar histórias falsas para causar admiração, gostava de trapaça e se transformou num falsário como adulto é de uma leviandade ímpar. Isso pode significar que Hitler foi um exemplar de verdade quando adulto por ter sido uma criança disciplinada, de alma artística e defensor de suas idéias desde cedo. Em suma, o autor assume seu lado determinista, aceitando acusar seus desafetos da mesma coisa que pratica, quando aponta através da citação de Feynman que a TE seria determinista. Está óbvio que se trata de mais uma falácia.

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200 anos Darwin - uma comemoração do mundo (Resposta a Conexões Epistemológicas) I

Eu me comprometi a escrever uma série de artigos em comemoração aos 200 anos de Darwin e aos 150 anos da publicação de a Origem das Espécies, e mesmo já tendo lido o livro de Darwin algumas vezes e discutido por anos sobre sua teoria no Orkut e em diversos ambientes, e passando de um ceticismo não-dogmático a um razoável entendimento de seus postulados, toda vez que me debruço a escrever algumas linhas eu lembro que faço parte do Blogs de Ciência e que, possivelmente, serei lido por cientistas de todas as áreas a procura de uma escorregada não fundamentada em tudo que escrever.

Não penso que isso seja ruim; o rigor quando se fala de ciência é algo desejável, e mesmo em qualquer outra área de conhecimento (inclusive e principalmente em Filosofia que é a minha) algo dito com leviandade pode afundar nossas pretensões acadêmicas de pesquisa ou mesmo a credibilidade que precisamos para ao menos sermos lidos.

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