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domingo, 17 de abril de 2011

O Mal, o Sofrimento e a Dor...

Uma vez me disseram:

O maior problema de quem não acredita em Deus, pelo que tenho visto, é sua falta de justificativa mental para o mal, o sofrimento e a dor

sofrim Ocasião em que fui obrigado a concordar. De fato é um problema. Mas nem de longe isso significa que a resposta seja automaticamente ou necessariamente uma crendice. Não é porque não há respostas para algo, é que aquilo que nos conforta deva ser a verdade sobre esse algo. Eis a grande diferença de postura entre o crédulo e o cético. Ambos, quando às voltas com um problema, respondem de maneira diversa: um se apega ao que lhe é útil ou agradável, outro se apega ao que lhe é coerente. Para o crédulo (e não posso generalizar) o que lhe é útil e lhe traz conforto mental o é por ser coerente. Isso é uma falácia sem tamanho. Por outro lado os critérios de coerência do cético são outros.

O pensamento filosófico-científico (que os céticos em geral adotam) suporta a dúvida, a incerteza e a falta de respostas quando nenhuma delas satisfaz os critérios pelos quais se constitui consensualmente um saber. Ao passo que a religião e a crendice em geral precisa de certezas e respostas a qualquer custo: qualquer falta de resposta torna automaticamente verdade qualquer coisa que satisfaça as necessidades utilitárias do crente.

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domingo, 20 de fevereiro de 2011

Consciência e Sociedade

mente-humana Penso que as funções e papéis sociais humanos possuem respaldo em uma instância que se estabeleceu como se fosse metafísica, porém baseada nos jogos de poder que estabelecem valores para pautar a vida humana. Essa coerção, pela exclusão que provoca, pode ser muito mais forte que uma determinação física, química ou genética como, por exemplo, das formigas. Quem de nós não conhece pessoas que foram operárias no grande ABC em São Paulo durante 30, 40 anos? A própria consciência de classe promovida no advento do socialismo acaba por determinar as pessoas em gavetinhas sociais intransponíveis.

É claro que podemos entrar em outros meandros aqui, pois dentro de uma determinação teleonômica social, existe uma verticalização das possibilidades: aquele que não quer ser operário terá de ser patrão. Mas a natureza, fora da tipologia e da especiação, possui uma diversidade horizontalizada que não vemos nos seres humanos por mera determinação social. Queremos ser espelhos da natureza, mas nos verticalizamos como formigas, exceto pelo fato de podermos ser rainhas, mas nunca uma vespa...

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terça-feira, 5 de janeiro de 2010

Rex Extensa e Res Cogitans

Esse pequeno artigo foi originalmente publicado na Conecte (Blog da Associação Brasileira de Neurociências e Comportamento) em 10 de Outubro de 2009, podendo ser lido no original aqui: Rex Extensa e Res Cogitans. Reproduzo aqui no Blog por dois motivos: primeiro o orgulho de ter sido aceito um artigo meu em uma instituição que não é minha especialidade e nem minha área, trazendo uma reflexão filosófica a partir de Merleau-Ponty para as questões neurocientíficas. Sabemos que seus estudos contribuíram para o resgate de um monismo na questão mente-cérebro. Segundo é que já venho escrevendo sobre Ponty em alguns posts e esse vem a complementar meu estágio atual de estudo sobre esse filósofo fantástico e até relativamente pouco conhecido.

Vamos ao artigo…

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Uma nova filosofia, a filosofia do olhar, acontece quando se toma, historicamente, a inseparabilidade entre a Rex Extensa e a Res Cogitans, começando então um estudo de seu imbricamento no fenômeno humano. Em Vigiar e Punir Foucault nos diz que não é o corpo a prisão da alma. Se pudermos falar em prisões aqui, é justamente é a alma a prisão do corpo.

O Mecanicismo e o naturalismo nos fez perder a consideração de uma pluralidade de sentidos e uma diversidade de perspectivas possíveis que Merleau-Ponty tenta resgatar através de um exame minucioso da corporeidade e de suas relações e imbricamentos com as representações mentais que fazemos do mundo.
A realidade, para Merleau-Ponty, é inexaurível, inesgotável. Uma profusão de modos e fundos que se sobrepõem aos sentidos e que nos faz mergulhados em um mundo que a mente precisa categorizar para entender, e entender para extrair para si a utilidade da qual a consciência se intenciona e se volta.

Mas é então, nessa categorização mental, que temos a ilusão do entendimento. E se acreditamos entender, não pode haver nada mais além do que foi entendido, senão não foi entendido. E assim promovemos a cisão entre o que a mente percebe e o que o corpo nos diz. A mente prende o corpo, aprisiona tudo aquilo que vivencia e experimenta para nomear como realidade só aquilo que ela se dá como satisfeita nas categorizações que faz. É o reducionismo que nos traz tanta prisão.

A grande pergunta que se impõe, portanto, é: de que forma a mente se prende em suas categorizações se constituindo na prisão do corpo e como podemos fazer com que ela se abra para o que o corpo nos teria a dizer sobre o mundo? Como romper essa dicotomia entre corpo e mente nos vendo mais totais?

A neurociência teria muito a nos dizer se também pudesse nos ver mais totais do que simplesmente nos ver como efeito de uma causa mecânica. Em algum lugar entre a mente (como epifenômeno de processos físico-químicos) e os próprios processos corporais sintetizados no cérebro, antes de qualquer representação que essa mente produza, um Sujeito pré-consciente. Essa hipótese seria plausível?
Nas decisões que tomamos na ilusão de que somos conscientes de nosso ato decisório, há um processamento fora do limiar de nossa consciência, mas que de alguma forma, delibera em função de algo. Encontrar esse “algo” pelo qual todo nosso mecanismo corporal e representativo-cognitivo toma decisões antes mesmos de termos consciência dela, talvez seja o grande Graal filosófico-científico da contemporaneidade.

Onde ele estaria? Haveria, em alguma instância, a possibilidade real de um arbítrio livre? O que é ser livre?

by Gilberto Miranda Júnior in Rex Extensa e Res Cogitans no Conecte.
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A questão do livre-arbítrio e da liberdade é muito ampla e futuramente gostaria de trazer algumas reflexões sobre isso no Filosofando na Penumbra.

É isso. Um ótimo 2010 a todos.

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quarta-feira, 14 de novembro de 2007

Conservadores e Liberais

Division Bell - Pink Floyd Em 3 mídias diferentes; Terra, Jornal da Ciência e Revistas Época saiu uma notícia que me fez pensar: uma pesquisa feita na Universidade de Nova York e publicada na revista Nature Neuroscience coloca em cheque a noção de que a diferença entre pensamentos liberais e conservadores advém de uma postura filosófica de vida, sugerindo que ela pode ter origem na forma como cérebro reage a certas situações.

Os pesquisadores trabalharam com um grupo de 43 voluntários que responderam a uma série de perguntas enquanto tinham seus cérebros monitorados por eletroencefalogramas. No entanto não foi levado em consideração as posturas políticas dos entrevistados, mas sim as reações de cada um em situações do dia-a-dia que envolviam decisões rápidas e mudanças.

Segundo o Dr. PHD David Amodio que coordena a equipe, as diferenças na hora de tomada de decisões estão relacionadas a um processo chamado "Monitoramento de Conflitos": um mecanismo que detecta quando uma resposta padrão não é apropriada para uma nova situação. Esse processo está relacionado com as reações do córtex cingulado anterior, mostrando variação na atividade cerebral em níveis diferentes dentro do grupo, cujos membros se declararam liberais ou conservadores. Os auto-intitulados liberais tiveram uma atividade cerebral maior na região que monitora conflitos quando confrontados com a perspectiva de mudanças, e a maioria tomou decisões que fugiam das situações de rotina, enquanto que os conservadores tiveram atividade cerebral menor na região e optaram por continuar a rotina mesmo com algum impedimento.

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